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Última actualización web: 18/08/2022

El uso combinado Fábulas de Düss y Teste de Apperception Temáticos de la Infancia en lo diagnóstico psiquiátrico en los niños.

Autor/autores: Natália Ferreira Damião
Fecha Publicación: 01/03/2009
Área temática: Trastornos infantiles y de la adolescencia .
Tipo de trabajo:  Conferencia

RESUMEN

La evaluación psicológica se considera un proceso científico que los datos recogidos corresponden a la información sobre los fenómenos psicológicos y en el diagnóstico de los trastornos psiquiátricos. Esto proporcionará una psychodiagnostico que se considera como un estudio detallado de un caso individual, lo que permite una descripción y comprensión de la personalidad del paciente y ayuda a la proposición de intervenciones terapéuticas apropiadas. El presente estudio fue evaluar psychodiagnostic de un niño de 11 años de edad, de sexo femenino. Hubo una entrevista inicial con el fin de lograr una primera impresión de la revisión, la verificación de lo que su discurso, las incoherencias en la evaluación, planificación de la batería de pruebas. A continuación se celebró una entrevista guiada con la madre del niño, que señaló las interrelaciones entre los acontecimientos internos y externos mundo del niño.

Durante la planificación de técnicas y pruebas que se administrarán se decidió utilizar dos técnicas de la verbal: las Fábulas de Düss y Teste de Apperception Temáticos de la infancia. La elección de las pruebas fue debido a la edad de los sujetos siendo evaluados por la técnica y aún poco explorado en Brasil. Los resultados indicaron la presencia de un complejo de Edipo no resueltos y instalado - y raro fenómeno de un retraso de la edad del niño de la asignatura evaluada. Por último, la técnicas proyectivas son eficaces en la comunicación el simbolismo de la vida psíquica del sujeto, más profundo revelado su dinámica.

Palabras clave: trastornos


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O Uso Combinado das Fábulas de Düss e do Teste de Apercepção Temática
para Crianças no diagnóstico psiquiátrico Infantil.

Introdução
No caminho da evolução, o ser humano segue uma linha de expressão que vai do gesto à
palavra. O gesto como movimento do corpo para exprimir uma idéia ou sentimentos para realçar
a expressão. A palavra se revela como um conjunto de sons articulados com uma significação e
com a faculdade de expressar idéias também por meio da voz. A linguagem se apresenta como
um conjunto de sinais falados, escritos ou gesticulados pelo homem com a finalidade de
comunicar o que passa em seu pensamento, seus sentimentos, sensações, através de palavras ou
qualquer outro meio. Neste sentido a comunicação ocorre de duas formas.
A linguagem verbal é composta por palavras e frases, linguagem falada ou escrita. Parte
atraente do universo adulto, a escrita exerce uma verdadeira fascinação sobre a criança, antes
mesmo de ela poder traçar verdadeiros signos. Muito cedo ela tenta imitar a escrita dos adultos.
Porém, mais tarde, quando ingressa na escola, verifica-se uma diminuição da produção gráfica,
já que a escrita (considerada mais importante) passa a concorrer com o desenho.
A linguagem não verbal, composta pelos outros elementos envolvidos neste processo,
como gestos, tom da voz, postura corporal. Abuchaem (1988) menciona a linguagem corporal
(não verbal) como a forma mais primitiva através da postura do corpo ou da expressão do rosto
ou pela exageração de um detalhe do seu físico, o homem começou o seu longo processo de
aprender a comunicar-se com o seu semelhante; está intimamente ligada à motricidade.
Sendo assim é importante considerar que o inconsciente fala com imagens simbólicas.
Ocorre o uso de significados simbólicos comuns na psicanálise e no folclore. Na experiência
clínica observam-se os mecanismos de deslocamento e identificação, assim como uma ampla
gama de fenômenos patológicos (compulsão, obsessão, perversão, fobias, psicoses). Ocorre o
desvelar do simbolismo usado nos desenhos mediante as associações do paciente. Tem-se a
evidencia empírica derivada de desenhos prévios de pacientes, a comparação de desenhos de
sujeitos já diagnosticados com os dos sujeitos que estão sendo avaliados.
Campo bem definido e consolidado, a Avaliação é básica para a vida humana. É uma área

ampla e flexível, utilizada para seleção de pessoal, conhecer o desenvolvimento sensório-motor
do sujeito, investigação do nível intelectual, útil também na educação, concursos, trânsito, entre
outros. De acordo com o Manual de Elaboração de Documentos Decorrentes de Avaliações
Psicológicas, proposto no Conselho Federal Psicologia (2002), a avaliação psicológica é
considerada um processo científico cujos dados coletados correspondem a informações acerca
dos fenômenos psicológicos resultantes da relação do indivíduo com a sociedade.
Segundo Abuchaem (1986), a realização deste processo permite identificar a parte sadia e
a parte enferma do paciente, possibilita uma indicação terapêutica adequada e contribui com
elementos para a configuração de um prognóstico correto. A avaliação psicológica fornecerá um
psicodiagnóstico que é conceituado como um estudo aprofundado de um caso individual, o qual
possibilita uma descrição e compreensão acerca da personalidade do paciente, bem como auxilia
na proposição de intervenções terapêuticas adequadas (Gonçalves, 2000).
As etapas de elaboração de um psicodiagnóstico, para Gonçalves (2000), são: primeiro
contato ou entrevista inicial com o examinando; planejamento das técnicas e testes a serem
administrados; fase do exame; encerramento do processo e devolução oral dos dados ao
examinando; e por fim, informe escrito (laudo) para o requerente.
Ocampo (1990) chama a atenção para dois possíveis erros que podem ser cometidos
durante uma avaliação psicológica. São eles: alongar ou reduzir em demasiado o seu processo. O
prolongamento de uma avaliação pode implicar em sentimento de impotência frente ao paciente,
transmissão de inquietude/ incerteza, surgimento de eventualidades e alimento de fantasias. A
sua redução, ao contrário, pode resultar em déficit de informações, pouca compreensão do
conflito e menosprezo pela problemática.
Os elementos constituintes de uma avaliação psicológica são basicamente o psicólogo e o
examinando. Estes últimos sentem-se motivados a procurar um atendimento psicológico ou a
elaborar um psicodiagnóstico quando percebem mudanças negativas em si mesmos, através de
inibições, sintomas, queixas e protestos (Bleger, 1985; Gonçalves, 2000). O psicólogo, por sua
vez, cujo papel principal é captar o mundo do paciente através de sua presença ativa, confrontará
suas próprias vivências, emoções e carências frente ao paciente, devendo resolvê-las a fim de que
se estabeleça uma relação saudável. É importante, ainda, que ele reconheça os seus limites e
forme uma sólida base teórica.

Existem dois processos que podem ocorrer na relação psicólogo-paciente que requerem
um pouco mais de cautela. O primeiro processo é chamado de transferência, que consiste na
atualização de sentimentos e atitudes inconscientes por parte do paciente, o qual atribui certos
papéis ao psicólogo. O contrário também pode ocorrer. É a chamada contra-transferência que são
respostas emocionais do psicólogo às manifestações do paciente. De acordo com Gonçalves
(2000), a aliança terapêutica é uma relação não neurótica racional que o paciente desenvolve
com o psicólogo, o qual permite avaliar o prognóstico da situação.
Para Ocampo (1990), durante a avaliação psicológica devem ser mantidas constantes
algumas variáveis, como o esclarecimento dos respectivos papéis, lugares onde serão realizadas
as entrevistas, horários, duração do processo e honorários, com o objetivo de que estes fatores
não afetem os resultados da tarefa diagnóstica. Este controle recebe o nome de enquadramento.
Os instrumentos utilizados nas avaliações psicológicas são geralmente métodos projetivos
associados a entrevistas. Estes métodos projetivos consistem em técnicas de estimular a
imaginação, de evocar e expor fantasias e imagens simples, que correspondem às expressões
pessoais e da personalidade do testando (Anzieu, 1981; Cunha 2000).
O presente estudo consistiu na avaliação psicodiagnóstica de uma criança de 11 anos de
idade, do sexo feminino. Realizou-se uma entrevista Inicial a fim de alcançar uma primeira
impressão do examinando, verificar qual seu discurso, avaliar incoerências neste, planejamento
da bateria de testes. Em seguida foi realizada uma entrevista Pautada com a mãe da criança, na
qual se observou as inter-relações entre acontecimentos do mundo interno e externo da criança.
Durante o planejamento das técnicas e testes a serem administrados optou-se pela
utilização de duas técnicas verbais: as Fábulas de Düss e o Teste de Apercepção Temática para
Crianças. A escolha dos testes ocorreu devido à idade do sujeito avaliado e por serem técnicas
ainda pouco exploradas no Brasil e neste sentido demandam maior detalhamento teórico, feito na
sessão a seguir.
Encerrou-se o processo com a devolução do resultado obtido através da análise e da
interpretação dos dados coletados por meio da entrevista devolutiva, que consistiu na
transmissão ao sujeito e aos pais, de forma compreensível, dos resultados obtidos no
psicodiagnóstico.

Teste de Apercepção Temática para Crianças (CAT)
O teste de apercepção temática infantil, que descende diretamente do Teste de
Apercepção Temática para Adultos (TAT), foi elaborado pelo psiquiatra americano Leopold
Bellak, em 1949, como uma técnica projetiva de avaliação da personalidade destinada a crianças
de 3 a 10 anos de idade, já que estas se identificam facilmente com figuras animais, dado ao
importante papel que estas desempenham nas fobias e fantasias infantis (Gonçalves, 2005).
Tendo em vista que o Teste de Apercepção Temática para adultos (Cunha, 2000) não
preenchia certas necessidades da investigação infantil e face ao pressuposto da preferência das
crianças por animais como figuras de identificação, Bellak, em colaboração com Sonya Sorrel
Bellak, delineou situações fundamentais, que poderiam revelar certos aspectos dinâmicos das
relações interpessoais infantis. Segundo Cunha (2000), foram criadas com esta finalidade 10
lâminas, pelo fato de as crianças de distraírem mais facilmente, apresentando cenas de animais
em situações humanas, a fim de se chegar à compreensão da criança em relação ao seu mundo
externo (figuras importantes) e ao seu mundo interno (impulsos e fantasias).
De acordo com Gonçalves (2005), as respostas suscitadas pelas gravuras correspondem a
problemas de alimentação e dificuldades orais, rivalidade entre irmãos, atitudes frente às figuras
parentais, agressão, aceitação pelo mundo adulto, temores noturno, masturbação e higiene
pessoal.
O CAT é um teste projetivo, temático, verbal, constituído por 10 lâminas, aplicado às
crianças como um jogo, que devem "entrar na brincadeira" elaborando uma história a partir da
cena em cada prancha, tal qual o HTP. Como elas, geralmente, interagem mais com o aplicador,
é necessário que o psicólogo mantenha um bom controle da situação e uma rígida observação das
verbalizações feitas por elas, a fim de que o teste alcance o seu objetivo, sem que o aplicador
influencie as respostas das crianças (Gonçalves, 2005).
O teste de apercepção infantil permite que seja realizada uma investigação diagnóstica,
especialmente com o objetivo de formulação dinâmica e uma identificação do estágio do
desenvolvimento infantil, para detectar possíveis desvios. É administrada de forma individual,
com tempo variável, recomendando-se que não seja ultrapassado 60 minutos (Cunha, 2000).
Como Gonçalves (2005) afirma, o autor do CAT, assim como o do TAT, propõe para a
interpretação do teste as análises de conteúdo e formal. Na análise de conteúdo serão analisados

aspectos como o tema, o herói, as necessidades principais do herói, a concepção do meio
ambiente, figuras, conflitos significativos, natureza das ansiedades e os principais mecanismos
de defesas empregados contra os impulsos (como a formação reativa, anulação, ambivalência,
rejeição, ilusão, simbolização, projeção e introjeção, dentre outros).
Além da análise de conteúdo, recomenda-se que seja feita uma análise formal, onde serão
observados: o tempo de reação, as pausas dentro da história, a necessidade questionar da criança,
a seqüência lógica ou ilógica do que é verbalizado, o tipo de linguagem utilizada, a natureza,
rigidez e labilidade na elaboração da história, e o controle fraco ou forte do participante na
realização da tarefa (Shentoub apud Gonçalves, 2005).
A síntese elaborada pelo psicólogo deve constar os resultados obtidos com a postura da
criança durante a aplicação do teste e dados referentes ao nível intelectual, contato com a
realidade, relações interpessoais, atitude para com o self, nível de desenvolvimento psicossexual,
aspecto emocional, desenvolvimento do superego, mecanismos de defesa e ajustamento
adequado.
As Fábulas de Düss
Em 1940, Louisa Düss, psicanalista suíça, começou a investigar histórias incompletas
com o intuito de que servissem de estímulos para explorar conflitos inconscientes. Contudo seu
trabalho composto por 10 fábulas foi publicado apenas 10 anos após o início de sua pesquisa, em
1950, apresentando situações-problemas para os quais a criança deve encontrar solução. Fornece
determinadas informações que devem ser elaboradas por meio de operações cognitivas, com base
nas quais o sujeito pode produzir uma resposta lógica, derivada da esfera do ego livre de
conflitos (Cunha, 2000).
Segundo Van Kolck (1975), nas histórias há sempre um herói, animal ou criança, que se
encontra em uma determinada situação, representativa de um estágio de evolução do
inconsciente, em que a criança deverá escolher qual o caminho o herói seguirá. As fábulas
envolvem simbolismo e ambigüidade, facilitando assim, a projeção, a fim de que seja permitida a
identificação de conflitos básicos.
Düss (1986) declara que as situações apresentadas pelas fábulas não são familiares às
crianças, nem representam o ambiente escolar, para que, dessa forma, a criança não se

identifique com elas, com o intuito de não gerar ansiedade e medo de ser julgada. A ordem das
fábulas começa pelas que apresentam complexos menos ligados à culpa, para não despertar os já
citados aspectos nos participantes.
As fábulas são: (1) Fábula do Pássaro ­ permite descobrir a fixação da criança a um dos
seus pais ou seu grau de independência; (2) Fábula do Aniversário de Casamento ­ propõe-se a
verificar se o sujeito sofreu algum trauma no quarto dos pais, inveja das relações dos pais e a
reação diante a cena primária; (3) Fábula do Carneirinho ­ possibilita explorar as reações ao
desmame a às relações entre irmãos e irmãs; (4) Fábula do Enterro ­ permite explorar a
agressividade, os desejos de morte, a culpa, a auto-punição; (5) Fábula do Medo ­ avalia
angústia e auto punição; (6) Fábula do Elefante ­ possibilita examinar o complexo de castração;
(7) Fábula do objeto Fabricado ­ propõe-se a detectar se há caráter obstinado e possessivo da
criança, estando diretamente relacionada à dinâmica da fase anal; (8) Fábula do Passeio com o
Pai e a Mãe ­ permite desencadear processos ligados ao conflito edipiano; (9) Fábula da Notícia
­ possibilita conhecer os desejos ou temores da criança; e, por fim, a (10) Fábula do Sonho Mau
­ a fim de obter o controle das fábulas anteriores.
De acordo com o que foi visto sobre a proposta de cada fábula, podemos concluir que
esta técnica permite elaborar um diagnóstico dos complexos e conflitos, explorar o fenômeno da
resistência, submeter certas conclusões empíricas da psicanálise a uma verificação experimental
e, ainda, verificar a existência de diversos complexos, como o de Édipo, castração, Caim e culpa.
Este teste é indicado para crianças com idade a partir de 3 anos, aplicado individualmente
para fins diagnósticos, com tempo variando em um intervalo de 15 a 30 minutos, dependendo do
inquérito sobre as histórias (Van Kolck, 1975). Deve-se anotar o tempo de reação e as
verbalizações do sujeito, a fim de obter mais subsídios para a análise. Ao aplicar o teste, deve-se
dizer à criança que ela deve adivinhar como as estórias continuam, enquanto para as crianças
maiores, deve-se apresentá-lo como um teste de imaginação, onde não há respostas certas ou
erradas.
O psicólogo deve contar a história de forma direta e com envolvimento e entusiasmo,
como se estivesse representando a fábula, policiando-se sempre para não influenciar a criança
devido à entonação e a ênfase dada em alguma parte da estória. O inquérito irá ajudar a
esclarecer alguns dados de cada estória que a criança contou. Supõe-se um conflito quando o
comportamento apresenta as seguintes características: resposta imediata e inesperada,

persistência do conflito em outras fábulas, silêncio e resistência a responder, respostas
sussurradas e apresentadas rapidamente, e desejo do sujeito de recomeçar o teste (Düss, 1986).
As fábulas correspondem a um estudo experimental sobre problemas de resistência em
crianças, realizadas com base em normas suíças, através de uma pesquisa com 65 sujeitos (43
crianças e 22 adultos). Estes dados podem ser úteis no sentido de orientar a interpretação, não
devendo ser entendidos como um guia que deve ser seguido rigidamente (Van Kolck, 1975).
Nas próximas sessões serão apresentados o sujeito e o resultado da aplicação dos testes.
Sujeito Avaliado
O sujeito avaliado foi uma criança com a idade de 11 anos e seis meses, sexo feminino,
aluna da 4ª série do ensino fundamental de um grupo escolar, residente no município de
Gurinhem no estado da Paraíba, no Brasil.
A estrutura familiar é composta pelo pai, cujo nível de escolaridade é o ensino
fundamental e trabalha como ajudante de pedreiro e devido ao ofício passa muitos dias fora de
casa; a mãe, que cursou o ensino fundamental e não trabalha; duas irmãs mais velhas, a primeira
com 16 anos e a segunda com 15 anos e ambas freqüentam a escola. A família reside num sítio,
cuja casa era inicialmente composta por 4 cômodos: sala, cozinha, banheiro e um quarto. O fato
de ter dividido o quarto com os pais e as irmãs até a idade de 6 anos emergirá em algumas de
suas respostas aos testes. Após esta idade ela e as irmãs passaram a dividir outro quarto
construído pelo pai.
Na entrevista Pautada a mãe afirmou que a criança é tranqüila, esperta e sociável. Não
apresentou nenhuma queixa sobre seu comportamento, linguagem ou desenvolvimento motor.
Relatou que a criança tem um bom rendimento escolar, realizava as atividades sozinha e que
nunca houve nenhuma reclamação por parte da escola. A mãe afirmou ainda que ela tem uma
boa relação com as irmãs e com o pai.
Na ocasião do estudo a criança se encontrava interna havia 3 semanas, sob a queixa de
inchaço nos pés e no rosto, à espera da realização de exames e de resultados dos exames já
realizados. Até finalização do estudo a criança não havia recebido o diagnóstico. A criança não
se encontrava sob efeito de nenhuma medicação, tinha boa aparência e higiene. Apresentava uma

boa relação com os companheiros do leito e a equipe médica. Assim como desenvolveu uma
relação tranqüila e receptiva com os aplicadores.
Resultados e Discussão
De modo a facilitar a compreensão das respostas e da análise, apresenta-se abaixo um
quadro explicativo:

Quadro1 ­ Análise das Respostas da criança às Fábulas de Düss
Fábula
Resposta
Análise
- "Voou para a árvore"
Resposta adequada aos
- (Qual?)
padrões normais.
1. Fábula do Pássaro
- "A da mamãe"
- "Porque estava triste. Está fábula se propõe a
Porque estava feliz. Porque identificar reações que
estava triste. "
remetem à inveja da
- (Por quê?)
relação com os pais, o
- Porque os pais se trauma do quarto, a cena
2. Fábula do Aniversário
casaram.
primária. A criança dormiu
de Casamento
até os seis anos no quarto
dos pais.
- "Vai comer capim. Fica Resposta adequada aos
bravo. O novinho bebe padrões normais.
3. Fábula do Carneirinho
leite. "
- "Uma mulher"
Indicador de hostilidade em
- (Quem é?)
relação ao casamento dos
4. Fábula do Enterro
- "A esposa do homem"
pais
- "De um bicho"
Resposta adequada aos
- (Que bicho?)
padrões normais.
- "Um sapo. Um papa-figo.
- (O que faria se a
pegasse?)
- Comia o fígado dela. O
papa-figo comeu o fígado
5. Fábula do Medo
do menino, a mãe saiu, o
papa-figo comeu e o
emborcou. O povo diz.
- "Mudou porque estava Resposta adequada aos
triste"
padrões normais.
6. Fábula do Elefante
- (Mudou a aparência?)

- "O rosto. Tava de cara
feia, mas não sei por quê. "
- "Pode dar"
Resposta adequada aos
7. Fábula do Objeto
padrões normais.
[Apresentou confusão]
Indicador de Complexo de
- Porque o pai não a Édipo não resolvido.
8. Fábula do Passeio
chamou para passear.
- "Fazer uma festa de Resposta adequada aos
aniversário"
padrões normais.
- (Para quem?)
9. Fábula da Notícia
- "O menino. Conta porque
é fofoqueira. "
- "Teve um pesadelo"
Possível
resíduo
de
- (Como?)
culpabilidade edipiana.
- "O homem a pegava e a
matava, porque ela estava
10. Fábula do Sonho Mau
sozinha, e a levou para um
canto e matou ela. "

Quadro 2 ­ Respostas da criança ao CAT
Lâmina
Respostas
- Ai Ai! Sei não!
- Estão comendo. . . Não estão ainda. . . A
1ª Lâmina: Pintinhos
galinha olhando, todos sentados na mesa.
- Não!
- Disputa para ver quem cai na lama. . .
2ª Lâmina: Ursos
Quem é o mais forte! Dois contra um
puxando uma corda. . . Lama!
- O rei dos reis! É um velhinho fumando. . .
3ª Lâmina: Leão e ratinho
Velho triste. . . Olha o cachimbo!
- A mamãe andando de bicicleta com os
filhotes! Como é o nome desse bicho?
4ª Lâmina: Cangurus
- Vão fazer um piquenique. O que é isso?. . .
Deve ser uma bola. O natal!
- Os bebês dentro "dum" berço.
5ª Lâmina: Quarto
- Dois bebês!
- Uma cama, as janelas. . . Pronto!
- O que é isso? Os ursos namorando numa
6ª Lâmina: Ursos na caverna
pedra. . . Dentro de uma pedra! O bebê
acordado. Fim!
7ª Lâmina: Tigre e o macaco
- Esse aí vai matar o pobrezinho do
macaco!
- Tigre. . . Era uma vez um tigre que queria

pegar um macaco para comer.
- Ele morreu!

8ª Lâmina: Macacos na sala

9ª Lâmina: Coelho no berço

10ª Lâmina: Cachorros

- Nossa. . . Que fofoqueira! Era uma vez
duas fofoqueiras e um pai muito brigão,
que brigava com o macaquinho. . .
- Porque o macaquinho deve "ta" fazendo
uma coisa errada. . . A vovó!
- Um coelhinho dentro do berço! Era uma
vez um coelhinho dentro do berço
chorando. . .
- Porque não "tava" vendo a mamãe
coelha!
- Andando. . . Passeando. . . Fim!
- Oooh gostei dessa aí! A cachorra
alisando um cachorrinho! Era uma vez
uma cachorra que gostava muito de um
cachorrinho e botou ele no colo e ficou
alisando e cheirando, e brincando. . . No
banheiro!
- Porque ele está com dor de barriga!

A análise do conteúdo das respostas ao CAT revelou alguns aspectos que corroboraram
as conclusões obtidas com o Teste das Fábulas e com as Entrevistas Inicial e Pautada.
A resposta dada em relação à Lâmina 1 mostrou a resolução tranqüila da fase oral e como
lidou bem com a situação de desmame. Não revelou aspectos de rivalidade entre irmãos. Como
mencionou a "galinha", desenhada de modo indistinto, pode sinalizar a presença da atenção
materna. Na concepção da cena, fala na "mesa" e como a mãe mencionou na entrevista Pautada
seu costume de se alimentar sempre na mesa mostra a projeção da criança nesta cena. Ao voltar
atrás na primeira resposta dada apresenta como defesa a ambivalência, de acordo com Mary R.
Haworth (citado por Montagna, 1989).
A criança percebe a Lâmina 2 como uma disputa, um jogo, para ver quem é o mais forte,
e quem vai cair na lama. Ela também reconhece a desigualdade entre dois puxando a corda
contra um, atentando para a situação de desvantagem e faz alusão ao fato de que alguém perde o
que revela uma possível rivalidade com uma autoridade. A lama chama sua atenção, talvez por
associá-la ao ambiente onde vive. A natureza da ansiedade pode partir da situação de competição
que a cena aborda. Não é possível observar com quem a criança se identifica.

Em relação à Lâmina 3 ela reconhece o leão como o rei dos reis, o que remete à uma
figura de autoridade. Suscita representações da figura paterna a qual pode é percebida como
idosa e triste (defesa). O objeto fálico (o cachimbo) chama sua atenção, confirmando a
associação com o masculino. Há a omissão do ratinho, o que pode significar um sentimento de
inferioridade em relação ao pai.
No tocante à Lâmina 4 mais uma vez revela a inexistência de rivalidade entre irmãos.
Não se identifica com nenhum dos filhotes, mas alude a uma boa relação com a "mamãe". Atenta
para a cesta e relaciona-a com "piquenique" o que é uma resposta esperada.
Pelo caráter puramente descritivo da resposta dada na Lâmina 5 possivelmente não ocorre
a projeção. Não faz nenhuma alusão à cena primitiva, o que pode ser justificado através da fala
da mãe na entrevista Pautada que afirma não discutir, nem incentivar a curiosidade sexual das
filhas.
Como o esperado a criança revela na Lâmina 6 o que omitiu, talvez por defesa, na
Lâmina anterior. O Complexo de Édipo surge em sua resposta na medida em que percebe
inicialmente o casal "namorando" e num segundo momento percebe o bebê "acordado". Esta
resposta pode ter relação com o fato de a criança ter dividido o quarto com os pais até os 6 anos.
Medo de agressão e maneiras de enfrentá-lo são expostas na Lâmina 7. Porém a criança
se mostra, através de sua resposta, indefesa no caso de uma identificação com o macaco. A
agressão ocorre e chega ao extremo. A ansiedade surge nesta Lâmina na forma de desamparo e
se transforma em rejeição. O tigre faz uma alusão ao mundo adulto e a criança apresenta medo
diante deste.
Na Lâmina 8 a criança menciona dois temas principais: o da fofoca e a bronca do pai. É
como ela se coloca nas relações sociais e na relação familiar. A questão da "fofoca" é comum em
seu contexto, visto que ela mora em sítio, no interior, onde é notável uma presença forte do
julgamento moral da vida alheia. O macaco dominante é identificado como "pai muito brigão" e
é percebido como poderoso e inibitório o que pode ser mais um indício de sentimento de
inferioridade frente à figura paterna assim como mostrou a Lâmina 3.
Como era esperado, na Lâmina 9, a resposta revelou o medo do abandono, no caso, da
mãe. Mais uma vez ela introduz a expressão de "tristeza" no herói principal o que pode ser
atribuída à situação de internamento, havendo a projeção e identificação com o herói. É válido

mencionar que a mãe da criança havia viajado dois dias antes da aplicação, a criança estava
acompanhada pela tia.
Finalmente na Lâmina 10 a criança demonstra não houve conflito no treino ao banheiro e
nenhum conflito em termos de masturbação, visto que a criança menciona em sua resposta uma
situação de brincadeira e afeto com a mãe. Porém é possível considerar que o fato de ter
interpretado a cena diferente do que seria esperado pode revelar uma defesa. Segundo Mary R.
Haworth (citado por Montagna, 1989) este mecanismo é chamado isolamento onde tira a carga
afetiva do estímulo, caracterizada pelo riso diante do quadro, assim como faz exclamações. Este
seria um aspecto que necessitaria ser melhor explorado.

Considerações Finais
De acordo com os dados coletados neste estudo de caso, observou-se que os instrumentos
projetivos ­ tais como o CAT e as Fábulas de Düss ­ utilizados em associação, podem
comunicar sobre o simbolismo, bem como desvelar o funcionamento psíquico mais profundo do
sujeito infantil.
Com relação ao diagnóstico psiquiátrico, tais instrumentos em associação, permitem a
elaboração e a organização, de forma concreta, dos dados, os quais ajudam na elaboração de uma
avaliação mais completa.
Ademais, aponta-se para a necessidade de novos estudos, utilizando os referidos testes,
no intuito de ampliar e consolidar o seu uso e aplicação, assim como para confirmar os dados
aqui colhidos e levantar outros indicadores da vida psíquica infantil.

Referências Bibliográficas
Abuchaem, J. Obras psicanalíticas. Porto Alegre: Luzzato Editores, 1986.
Anzieu, D. Os métodos projetivos. Rio de Janeiro: Campus. 1981
Bleger, J. (1985). Temas de psicologia: entrevista e grupos. São Paulo: Martins Fontes
Conselho Federal de Psicologia. Manual de Elaboração de Documentos Decorrentes de
Avaliações Psicológicas, 2002. Disponível em <http://pol. org. br>. Acesso em: 29/07/05
Cunha, JA. Psicodiagnóstico ­ V. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000.
Düss, L. Fábulas de Düss. São Paulo: Casa do psicólogo, 1986.
Gonçalves, CMTS. Introdução ao estudo do psicodiagnóstico clínico. João Pessoa: UFPB, 2000.
Gonçalves, CMTS. O teste de apercepção para crianças ­ CAT. João Pessoa: UFPB, 2005.
Montagna, ME. Análise e interpretação do CAT : teste de apercepção temática infantil. São
Paulo: EPU, 1989
Ocampo, MLS. O processo psicodiagnóstico e as técnicas projetivas. São Paulo: Martins Fontes,
1990.
Van Kolck, OL Técnicas de Exame Psicológico: e suas aplicações no Brasil. [S. l. ]: Vozes, 1975.

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