PUBLICIDAD
Última actualización web: 04/12/2022

La introspección cómo método de estudio en la psicología tomista.

Autor/autores: Lamartine de Hollanda Cavalcanti Neto
Fecha Publicación: 01/03/2009
Área temática: Psiquiatría general .
Tipo de trabajo:  Conferencia

RESUMEN

El presente artículo tiene por fin presentar una contribución de la psicología Tomista a la metodología psicológica. Para eso, después de recapitular el enfoque tomista sobre los tipos de conocimiento, su consecuente propuesta de división de la psicología General, y el concepto de psicología Tomista que de él proviene, analiza el "derecho de ciudadanía" de esta en el mondo académico.

Presenta, a continuación, la metodología tomista en el estudio de la psicología, cómo ella enfrenta y soluciona el problema de la accesibilidad a su objeto, su carácter científico, las contestaciones que propone a las objeciones criteriológicas, y las perspectivas que dicho enfoque abre para nuevas investigaciones en esa área del conocimiento humano.

Palabras clave: Introspección, Metodología psicológica, Psicología Tomista


VOLVER AL INDICE

Url corta de esta página: http://psiqu.com/1-4071

Contenido completo: Texto generado a partir de PDf original o archivos en html procedentes de compilaciones, puede contener errores de maquetación/interlineado, y omitir imágenes/tablas.

A INTROSPECÇÃO COMO MÉTODO DE
ESTUDO NA PSICOLOGIA TOMISTA

LA INTROSPECCIÓN CÓMO MÉTODO DE
ESTUDIO EN LA PSICOLOGÍA TOMISTA

Lamartine de Hollanda Cavalcanti Neto
Médico psiquiatra, professor de Psicologia no Instituto Filosófico Aristotélico Tomista ­
IFAT (São Paulo, Brasil).

Resumo
O presente artigo tem por objetivo apresentar uma contribuição da Psicologia Tomista
à metodologia psicológica. Para isso, depois de recapitular o enfoque tomista sobre os tipos de
conhecimento, sua conseqüente proposta de divisão da Psicologia Geral, e o conceito de
Psicologia Tomista dele decorrente, analisa o "direito de cidadania" desta no mundo
acadêmico. Apresenta, em seguida, a metodologia tomista no estudo da Psicologia, como ela
enfrenta e soluciona o problema da acessibilidade do seu objeto, seu caráter científico, as
refutações que propõe às objeções criteriológicas, e as perspectivas que o referido enfoque
abre para novas investigações nessa área do conhecimento humano.
Palavras chave: Metodologia psicológica; introspecção; Psicologia Tomista.
Key words: Psychological methodology; introspection; Thomistic Psychology.
Resumen
El presente artículo tiene por fin presentar una contribución de la psicología Tomista a
la metodología psicológica. Para eso, después de recapitular el enfoque tomista sobre los tipos
de conocimiento, su consecuente propuesta de división de la psicología General, y el concepto
de psicología Tomista que de él proviene, analiza el "derecho de ciudadanía" de esta en el
mondo académico. Presenta, a continuación, la metodología tomista en el estudio de la
psicología, cómo ella enfrenta y soluciona el problema de la accesibilidad a su objeto, su
carácter científico, las contestaciones que propone a las objeciones criteriológicas, y las
perspectivas que dicho enfoque abre para nuevas investigaciones en esa área del conocimiento
humano.
Palabras claves: Metodología psicológica; introspección; psicología Tomista.
1

Importância da metodologia no enfoque tomista
Embora o conceito atual de Metodologia, como estudo dos métodos adotáveis para
obter o conhecimento de uma determinada ciência, pudesse não existir na Idade Média, São
Tomás já preconizava que se "deve conhecer o método de uma ciência antes de estudá-la"
(E. B. T. , q. 6, a. 1, ob. à seg. parte, r. 3, apud BRENNAN, 1969b, p. 41). Em consonância com
essa afirmação, o psicólogo tomista canadense Robert E. Brennan (1969b, p. 40-41) assevera
que: "a primeira preocupação que deve ter um estudante de Psicologia, aqui como em
qualquer outro caso, é conhecer o método da matéria particular que vai estudar".

Tipos de conhecimento
Para compreendermos melhor o enfoque metodológico tomista, convém antes tomar
como pressuposto o modo pelo qual ele classifica os tipos de conhecimento. Alguns destes se
buscam pelo afã de saber: são os especulativos. Outros se adquirem com o fim de atuar: são
os práticos. Com base nisso, Brennan (1969b) adota o conceito de Filosofia como ciência do
conhecimento especulativo, e o de Ciência como o conhecimento de tipo experimental e
prático.
Quanto aos seus objetos formais (fins), podemos observar que a Ciência se interessa
mais pelos acidentes, no sentido filosófico do termo, enquanto que a Filosofia pela essência.
Podemos dizer também que a Ciência se interessa pela(s) causa(s) que precede(m) mais
imediatamente a qualquer efeito considerado, enquanto que a Filosofia está disposta a
descobrir até a última de uma série de causas ou a razão final de qualquer efeito.
Ambas têm o mesmo objeto material: o conhecimento do universo em geral. Mas
diferem quanto ao objeto formal: a Ciência visa aos seus acidentes, suas propriedades, a
"periferia" do objeto, ou seja, seus aspectos chamados de fenomenológicos por certas
correntes. A Filosofia, por sua vez, visa à substância, natureza ou aspectos ontológicos do
objeto a ser estudado.
Como conseqüência, quanto ao método de estudo (meios), a Filosofia baseia-se mais
na simples observação, utilizando os sentidos e o raciocínio para aproveitar e analisar os
dados dela decorrentes, enquanto a Ciência lança mão de instrumentos que lhe permitem
ampliar ou modificar a capacidade de observação, incluindo o chamado método experimental.
2

Este possibilita criar condições para desenvolver e aprimorar as observações, de modo a poder
repeti-las quando se considerar necessário, comprovar o resultado de suas predições, e
empregar o raciocínio para processar suas informações.
Dependendo do objeto estudado, portanto, o enfoque mais adequado será ora o
filosófico, ora o científico, ora o uso complementar de ambos.

Proposta tomista de divisão da Psicologia Geral
Existem várias correntes e opiniões quanto às divisões da Psicologia Geral. Conforme
Brennan (1969b), os que se baseiam na escola aristotélico-tomista dividem-na em dois
grandes grupos: Psicologia Filosófica e Científica. Ambas têm o mesmo objeto material: o
homem. Elas o estudam como uma criatura estruturada materialmente, sujeita às mesmas leis
de tempo, espaço e movimento que atuam sobre o resto das criaturas materiais.
Diferem, entretanto, quanto ao objeto formal (fins) e método de estudo. O da
Psicologia Filosófica é estudar o homem (enquanto ser hilemórfico, ou seja, dotado de alma
unida ao corpo) em sua natureza ou essência, e as leis que ordenam seu ser. Em tese se
poderia estudar também a alma enquanto separada do corpo, mas isto seria mais propriamente
objeto de estudo da Metafísica. Por sua vez, o objeto formal da Psicologia Científica é estudar
o homem, ser hilemórfico, em seus acidentes, propriedades e leis que regulam a sua conduta,
o seu comportamento.
Quanto ao método, como regra geral, o da Psicologia Filosófica é o dedutivo,
baseando-se nos dados da inteligência, dos sentidos e da introspecção para deduzir suas
conclusões. E o da Científica é o método indutivo, apoiando-se nas informações provenientes
da observação aprimorada pelo instrumental científico, aliados aos dados da experimentação,
que induzem às conclusões.
Sem embargo, o cientista também usa o método dedutivo quando trata de idear suas
leis gerais, especialmente quando lança mão da observação e da introspecção, e o filósofo usa
o indutivo quando parte dos fatos observados, dados científicos ou de raciocínios prévios para
chegar às suas conclusões.

3

Conceitos de Psicologia Filosófica e Científica
Baseando-nos na definição de Psicologia Geral adotada por Brennan (1969b) podemos
dizer que a Psicologia Filosófica é o estudo do homem (enquanto ser dotado de alma e corpo)
em sua essência ou substância, e que a Psicologia Científica é o estudo do homem em seu
comportamento (atos) e propriedades.
O Aquinate ensina que um corpo doutrinário está subordinado a outro quando este
último é capaz de dar-nos a razão última daquilo de que trata o primeiro (AQUINO, E. B. T. ,
q. 5, a. 1, r. a. obj. 5, apud BRENNAN, 1969b). Portanto, segundo a concepção tomista, a
Psicologia Científica pode recorrer à Filosófica para aprofundar suas conclusões empíricas na
busca da compreensão das razões pelas quais o homem é o que é, e age como age.

Conceito de Psicologia Tomista
Diante acima exposto, e para melhor clareza de conceitos, convém explicitar o que
entendemos por Psicologia Tomista, com base em Brennan (1960), antes de analisarmos a
metodologia que ela emprega.
A obra de São Tomás é vastíssima, abarcando inúmeros temas atinentes à Teologia, à
Moral, à Liturgia, à Filosofia, à Política, entre outros. Estando a Psicologia relacionada direta
ou indiretamente a quase todos esses temas, ele não poderia deixar de abordá-la. Como o fez?
Brennan (1969b) destaca que, curiosamente, nem ele, nem Aristóteles, empregaram o
termo "psicologia", mesmo porque essa palavra não existia em suas respectivas épocas.
Braghirolli et al. (2005), por exemplo, atribuem sua adoção a Philip Melanchthon (14971560), e sua difusão a Christian Von Wolff (1679-1754).
Contudo, em diversos trechos das inúmeras obras do Doutor Angélico, o assunto da
alma humana e seu funcionamento vem à tona. Baseando-se nas Sagradas Escrituras, em
Santo Agostinho, Boécio, Aristóteles e outros autores, ele edificou um impressionante corpo
doutrinário sobre o tema.
Desse modo, embora não seja fácil dar uma definição concisa do que chamamos de
Psicologia Tomista, podemos entendê-la como sendo o estudo do homem em seus atos,
4

propriedades e essência, segundo a cosmovisão de São Tomás de Aquino.
Os atos humanos podem ser entendidos como o comportamento, objeto unanimemente
aceito para a ciência em questão. Coerente, entretanto, com o enfoque filosófico, a Psicologia
Tomista interessa-se também pelas propriedades e até pela essência daquele ser que se
manifesta através de seus atos. . E aporta ricos esclarecimentos aos que se aprofundam em seu
estudo.

"Cidadania" desse conceito
Habituado ao experimentalismo behaviorisa ou pós-behaviorista, ou aos quadrantes
filosóficos conexos com as teorias freudianas e pós ou para-freudianas, o psicólogo atual
talvez se pergunte se uma Psicologia Tomista poderia encontrar direito de cidadania nessa,
entretanto, tão aberta ciência.
O contato com os trabalhos de autores recentes como Maurer (1983, 1990), Rodríguez
(1991), Stump (1993), Lobato (1994), Marín (1998), Fabro (1999), Menezes (2000), Cruz
(2001), Kretzmann (1993, 2002), Kenny (2002), Pasnau (2002, 2003), Echevarría (2004),
Andereggen (2005), García-Valdecasas (2005), O'Rourke (2005), Piñeda (2005), McInerny
(2006), Velde (1995, 2006), Wippel (2000, 2007), Alarcón (2006, 2007), Faitanín (2008),
Gallo (s. d), e outros ainda, poderia ajudar a dissipar tal indecisão.
Além desses, diversos outros estudiosos têm oferecido aportes, diretos ou indiretos,
valiosos à Psicologia com base no referencial tomista. Embora não tão contemporâneos
quanto os acima referidos, dentro duma esfera de abrangência que inclui o século XX,
podemos citar autores como: Farges e Barbedette (1923), Maritain (1923), Bengoetxea
(1925), Sertillanges (1940), Allers (1940), Mercier (1942), Barbado (1943), Barros (1945),
Collin (1949), Garrigou-Lagrange (1950), Derisi (1956), Bless (1957), Jolivet (1959),
Brennan (1960, 1969, 1969), Gardeil (1967), Vernaux (1969), Sciascia (s. d. ), Gilson (2002,
re-edição) entre muitos outros.
Os que se interessem em conhecer a vastíssima bibliografia sobre São Tomás e sua
obra, indicativa do interesse e acatamento que suscitam no mundo acadêmico, poderão
encontrar na Bibliographia Thomistica, compilada por Alarcón e disponível na internet no site
http://www. corpusthomisticum. org/zbiblia. html,

um

manancial

quase

inesgotável

de
5

referências bibliográficas.
É compreensível, portanto, que a expressão Psicologia Tomista, cunhada por Brennan
(1960) como título de um de seus livros, não tenha senão expandido seus foros de cidadania
desde então.

Princípio e métodos básicos da metodologia
Delimitados os campos e conceitos que manusearemos, convém recordar agora alguns
elementos básicos da ciência que pretendemos analisar.
Segundo Brennan (1969b), uma lei básica da metodologia é partir do fato, aquilo que
captamos por meio da experiência imediata, para o princípio que está por trás do fato. Ou seja,
partir do mais conhecido e avançar gradualmente para o menos conhecido. Uma vez que
consigamos estabelecer um princípio, podemos utilizá-lo como ponto de partida para novas
deduções e aprofundamentos. É o processo da análise e síntese. Desse modo, existem dois
métodos básicos de estudo:
a) método analítico
Que progride sucessivamente do particular para o geral visando chegar a uma
definição sintética de princípios.
b) método sintético
Que utiliza o processo inverso, baseando-se nas leis ou princípios descobertos pelo
método analítico para deduzir novos dados e novas conclusões.

Aplicação dos métodos básicos à Psicologia Tomista
Como vimos, a Filosofia, por sua natureza, se apóia mais no método sintético e a
Ciência, no analítico. Porém, uma vez que ambos são mutuamente úteis, há um constante
intercâmbio de aplicação entre os dois.
De acordo com Brennan (1969b), a Psicologia de São Tomás é um feliz exemplo de
6

equilíbrio na aplicação dos dois métodos. Pois quando trata dos aspectos materiais do objeto
de seu estudo, tende mais a utilizar o método analítico-indutivo. E quando se ocupa dos
aspectos formais, tende a servir-se do sintético-dedutivo, partindo do já conhecido para atingir
novas explicitações.

O problema do objeto
O moderno critério de validade científica para o estudo de um determinado objeto é
que o mesmo seja observável por qualquer pessoa que se disponha a fazê-lo adequadamente, e
tanto quanto possível livre das inferências subjetivas do pesquisador e do sujeito que está
sendo estudado (BRAGHIROLLI et al. , 2005).
O objeto da Psicologia, para a escola aristotélico-tomista, é aquele explicitado pela
própria etimologia do termo: a psyché, a alma. Como, porém, aplicar o referido critério para
um objeto de estudo que, por definição, não pode ser observado diretamente?
Diante do dilema, alguns estudiosos preferiram erigir como objeto da Psicologia o
comportamento estritamente observável (WATSON, 1930; SKINNER, 1964, 1953, 1938),
por ser suscetível de experimentação científica. A corrente predominante em nossos dias,
entretanto, não é tão estrita, adotando o comportamento, num sentido mais amplo, como seu
objeto (BRAGHIROLLI et al. , 2005).
Sem embargo, quando o estudioso se vê diante de situações incontornáveis, nas quais
muitas informações só estão accessíveis por meio de descrições subjetivas, como as que
envolvem os sentimentos, os afetos, os estados de humor, pode ser levado a aceitar a
combinação dos dados de experiências subjetivas com elementos da observação objetiva. É o
que podemos notar em vários dos testes psicológicos existentes hoje em dia, especialmente
nos chamados projetivos.
São Tomás, porém, não via necessidade de esquivar-se da questão. Pelo contrário,
abordava-a de frente, aceitando como óbvio o fato de o objeto de estudo da Psicologia ser a
alma. Como a investigava, contudo?

7

O método tomista
São Tomás estudava a alma principalmente por meio da introspecção.
Embora pouco considerada -- ou mesmo contestada -- por muitos dos psicólogos
modernos, a introspecção foi o principal método de estudo adotado nos primórdios da
Psicologia.
A metodologia moderna considera a observação como um dos métodos científicos
válidos, dividindo-a em naturalista e controlada, juntamente com a experimentação, os
levantamentos, os testes e os estudos de casos (BRAGHIROLLI et al. , 2005). A introspecção
é uma variante da observação, consistindo na análise das próprias reações interiores,
conscientes ou subconscientes (estas, após treinamento). Pode ser feita tanto de modo
naturalista exclusivo como misto ou controlado, segundo Barbado (1943). Não exclui a
experimentação e pode ser validamente adotada tanto nos levantamentos e testes, quanto nos
estudos de casos.
A razão da particularidade da introspecção é que se trata do único método em que o
sujeito e o objeto coincidem. Sua desvantagem é a susceptibilidade às inferências subjetivas.
Mas se utilizada com retidão, pode ser uma rica fonte de informações.
Oswald Külpe (1862-1915), considerado por Brennan (1969b) como o primeiro
psicólogo moderno a fazer um estudo sobre metodologia, afirma que "o experimento não
pode substituir a introspecção em Psicologia, do mesmo modo que não pode substituir a
observação em Física" (KÜLPE, 1895, p. 10, apud BRENNAN, 1969b, p. 43). Brennan
(1969b, p. 42) chega a afirmar que, segundo São Tomás, "a introspecção é o meio mais seguro
de acesso aos dados da Psicologia", e "a ferramenta básica" para obtê-los.
De acordo com Collin (1949, p. 45), podemos definir a introspecção como "um olhar
minucioso ao interior de si mesmo para examinar mentalmente um de seus atos e analisá-lo
como um objeto distinto". Não se trata, portanto, de uma tomada de consciência espontânea,
mas de uma verdadeira reflexão ou um exame sobre os próprios atos mentais.
Naturalmente, nem São Tomás nem os psicólogos que seguem a orientação tomista
desconsideram o valor da observação externa como dos demais métodos científicos, tanto que
vários deles se alinharam com a Psicologia Experimental, principalmente na primeira metade
do século XX (cf. BARBADO, 1943). Mas, como assinala e resume Collin (1949, p. 48), o
8

método objetivo (no sentido de "não-subjetivo"), apesar de "necessário e fecundo, mutila a
Psicologia se pretende ser exclusivo".

Cientificidade do método aristotélico-tomista
Contudo, não se pode tachar de pouco científico o método tomista, uma vez que ele
não só se baseou no aristotélico, mas até o enriqueceu. Como se sabe, Aristóteles de Estagira
(384-322 a. C. ) é considerado o primeiro filósofo a formular uma doutrina sistemática sobre os
processos da vida psíquica e sobre a alma propriamente dita, especialmente nos seus três
livros De Anima. E é apontado como o primeiro a valorizar a observação, inclusive a
introspecção, como metodologia de estudo.
Apesar de alguns autores o considerarem basicamente racionalista (cf. BARBADO,
1943), do ponto de vista metodológico, vários outros o vêem não apenas como iniciador da
Psicologia Filosófica, mas também como pai da Psicologia Empírica ou Experimental,
embora esta só tenha surgido oficialmente no século XIX.
Com efeito, Barbado (1943) traz em favor dessa tese citações de vários autores, tais
como: Soury, Baldwin, Stout, Hoffding, Villa, Dessoir, Dunlap, Ebbinghaus, Külpe, entre
outros. Suas declarações vão na linha de que não se pode chamar a Psicologia Experimental
de nova pela simples razão de que, como diz Myers (1911, p. 1, apud BARBADO, 1943, p.
99) "o experimento em Psicologia é pelo menos tão antigo quanto Aristóteles", ou, como
afirma Kiesow (1923, p. 214, apud BARBADO, 1943, p. 101): "no sistema de Aristóteles
encontramos o primeiro tratado científico dos fatos da alma".

Objeções criteriológicas à introspecção
Em que pesem tantas e abalizadas opiniões, alguém poderia objetar que o método da
observação, especialmente quando introspectiva, estará sempre condicionado pelo caráter
subjetivo que lhe é intrínseco.
Em outros termos, o indivíduo pode "observar" apenas aquilo que lhe convenha, quer
por razões conscientes, quer subconscientes, principalmente quando o assunto diga respeito à
9

sua subjetividade.
Tal objeção "objetivista", entretanto, parece carecer de objetividade.
Com efeito, a mesma crítica poderia ser aplicada ao método experimental, ao
estatístico ou a qualquer outro instrumental-científico. Pois onde está o ser humano, aí está a
subjetividade, revista-se ela do aparato tecnológico que se revestir. Nesse sentido, consta que
Churchil teria chegado a comentar, jocosamente, que só acreditava nas estatísticas que ele
mesmo falsificava (MANSEL, 2003). . .
A exceção, portanto, não invalida a regra. A utilização fraudulenta ou inadequada de
um método científico, seja ele qual for, não é pretexto suficiente para invalidar o esforço do
conhecimento humano.
Encontram-se ainda outras objeções à introspecção como metodologia de trabalho em
Psicologia. Há quem a critique, por exemplo, por não poder ser utilizada em experiências com
animais de laboratório, ou com pessoas mentalmente enfermas.
Os que esposam tais ressalvas, entretanto, poderiam levar em conta que a motivação
principal da Psicologia Tomista é conhecer a psicologia do ser humano diretamente, tal como
ela é. E que os experimentos com animais são realizados, em geral, tendo em vista encontrar
evidências que possam servir ao conhecimento da psicologia humana, ainda que por analogia.
Como a introspecção é uma via de indiscutível valor para chegar diretamente a este
conhecimento, não há porque desprezá-la em privilégio de vias indiretas e analógicas, ainda
que estas também possam ter o seu papel
Por outro lado, conhecendo-se com clareza o funcionamento normal e saudável da
mente, pode-se compreender melhor os seus processos patológicos. Não há, portanto, porque
pressupor que o conhecimento oferecido pela adequada introspecção possa ser de pouca
utilidade ao estudo da psicopatologia.
Neste particular, talvez alguns dos objetantes do seu uso em pessoas mentalmente
enfermas não cheguem a se dar conta de que a empregam em sua prática clínica psiquiátrica
ou psicológica quotidiana. Pois uma boa parte, ou quiçá a maioria das escolas
psicoterapêuticas, lança mão de técnicas introspectivas, ainda que com outros nomes, seja nas
fases diagnósticas, seja no acompanhamento, seja na avaliação de suas diversas estratégias
terapêuticas.
10

Controvérsias à parte, o fato histórico é que São Tomás se serviu da introspecção,
além do raciocínio especulativo, indutivo e dedutivo, como método de trabalho. Se foi feliz ou
não em sua escolha, o estudo de suas contribuições à Psicologia poderá ajudar a julgar.

Contribuição da Psicologia Tomista à metodologia psicológica
O fim do presente artigo é analisar apenas uma dessas contribuições, a primeira de
uma longa série de outras.
No que consiste ela? Com antecipação de séculos, São Tomás enfrentou o problema da
acessibilidade ao objeto da Psicologia acima referido, e o solucionou magistralmente ao
adotar como "instrumento de pesquisa" o único disponível e capaz de observar a alma, ou
seja, a própria alma.
E não se limitou simplesmente a observá-la. Empregando também o único
"instrumental" com capacidade para analisar os dados dessa observação, que é o raciocínio,
desenvolveu todo um conjunto de juízos e inferências com base nos dados que coletou.
Embora utilizando um método caracteristicamente medieval, ele empregou a melhor
"tecnologia de ponta" disponível para esse estudo específico, ou seja, a própria mente
humana, nunca superada, nem mesmo superável, pelos mais avançados computadores.
A introspecção serviu-lhe, portanto, como base e instrumento para a edificação de toda
uma estrutura conceitual, hoje conhecida como Psicologia Tomista (BRENNAN, 1960),
vastíssimo campo que convida, aos que se interessam pelo comportamento e pela natureza
humana que lhe é subjacente, a novas e instigantes investigações.

11

Referências

ALARCÓN, Enrique; et alli. Thomistica 2006: an international yearbook of Thomistic
bibliography. Bonn: Nova et Vetera, 2007.
______. Bibliographia thomistica 2005. Doctor Angelicus 6, 301-410. 2006.
ALLERS, Rudolf. The successfull error: a critical study of freudian psychanalysis. New
York: Sheed & Ward, 1940.
ANDEREGGEN, I. E. Santo Tomás, psicólogo. E-aquinas 3/2 (2005) 24-36.
BARBADO, Manuel, O. P. Introducción a la psicología experimental. 2. ed. Madrid:
Instituto Luís Vives de Filosofia, 1943.
BENGOETXEA, Juan Zaragüeta. Los rasgos fundamentales de la psicologia tomista.
Madrid: 1925.
BLESS, H. Pastoral psiquiátrica. Trad. P. M. e A. A. (sic). 3. ed. espanhola ampliada.
Madrid: Razón y Fé, 1957.
BRAGHIROLLI, Elaine Maria; BISI, Guy Paulo; RIZZON, Luiz Antônio; NICOLETTO,
Ugo. Psicologia geral. 25. ed. Petrópolis: Vozes, 2005.
BRENNAN, Robert Edward, O. P. psicología general. Trad. Antonio Linares Maza. 2. ed.
Madrid: Morata, 1969b.
______. psicología tomista. Trad. Efren Villacorta Saiz, O. P. Revisão José Fernandez
Cajigal, O. P. Ed. atualizada pelo Autor. Barcelona: Editorial Científico Médica, 1960.
CRUZ, Juan Cruz. Ontología del alma humana. In: Aquino, São Tomás de. Cuestiones
disputadas sobre el alma. Trad e notas Ezequiel Téllez Maqueo. 2. ed. Pamplona: EUNSA,
2001.
DERISI, Octavio N. Tratado de existencialismo y Tomismo. Buenos Aires: Emecé, 1956.
ECHEVARRÍA, Martín. F. memoria e identidad según Santo Tomás. 2004. Disponível
em: http://www. rudolfallers. info/echevarria4. html. Acesso em: 17/11/2008.
FABRO, Cornelio. Introducción al Tomismo. Madrid: Rialp, 1999.
12

FAITANÍN, Paulo S. O papel dos sentidos internos na teoria do conhecimento de Tomás de
Aquino. Aquinate, v. 6, p. 234-241, 2008.
______. Os sentidos como portas de acesso ao ser, segundo Tomás de Aquino. Aquinate, v. 6,
p. 223-233, 2008.
FARGES, A; BARBEDETTE, D. Cours de philosophie scolastique. 12. ed. Paris: Baston,
Berche et Pagis Librairies, 1923.
GALLO, Jorge Herrera. La psicología tomista en la actualidad. Sem data. Disponível em:
http://www. enduc. org. ar/comisfin/ponencia/102-06. doc. Acesso em: 17/11/2008.
GARCÍA-VALDECASAS, Miguel. Psychology and mind in Aquinas. History of
Psychiatry, Vol. 16, nº 3, p. 291-310, 2005.
GARDEIL, Henri Dominique. Iniciação à filosofia de São Tomás de Aquino. Trad Wanda
Figueiredo. São Paulo: Duas Cidades, 1967.
GARRIGOU-LAGRANGE, Réginald, O. P. La synthèse thomiste. Paris: Desclée de
Brouwer, 1950.
GILSON, Étienne. El tomismo. Introducción a la filosofía de Santo Tomás de Aquino.
Trad. Fernando Múgica Martinema. 4. ed. corrigida. Pamplona: EUNSA, 2002.
JOLIVET, Régis. Curso de filosofia. Trad. Eduardo Prado de Mendonça. 18. ed. Rio de
Janeiro: Agir, 1990.
KENNY, Anthony. Aquinas on being. Oxford: Clarendon Press, 2002.
KRETZMANN, Norman. The metaphysics of Theism: Aquinas's natural Theology in
Summa Contra Gentiles I. New York: Oxford University Press, 2002.
______ ; STUMP, Eleonore. (org. ). The Cambridge Companion to Aquinas. Cambridge:
Cambridge University Press, 1993.
LOBATO, Abelardo. El hombre en cuerpo y alma. Valencia: Edicep, 1994.
MANSEL, Bernd. Enjeux pour la défense des intérêts syndicaux. Nyon, 2003. Disponível
em:http://www. union-network. org/UNIIBITSn. nsf/0b216cc03f4649f6c125710f0044be29/$FILE/FromManufToServF. pdf.
Acesso em: 18/9/2008.
MARÍN, António Royo, O. P. Somos hijos de Dios. Misterio de la divina gracia. Madrid:
Biblioteca de Autores Cristianos, 1977.
______. Teología de la perfección cristiana. 5. ed. Madrid: Biblioteca de Autores
Cristianos, 1968.
MARITAIN, Jacques. Eléments de philosophie, II. 4. ed. Paris: Téqui, 1923.
MAURER, Armand Augustine. Being and knowing: studies in Thomas Aquinas and later
medieval philosophers. Toronto: Pontifical Institute of Medieval Studies, 1990.
13

______ . About beauty: a thomistic interpretation. Houston: University of St. Thomas, 1983.
McINERNY, Ralph M. Praeambula Fidei: Thomism and the God of the philosophers.
Washington: Catholic University of America Press, 2006.
MENEZES, Paulo Gaspar de. (2000). O conhecimento afetivo em Santo Tomás. São Paulo:
Loyola.
MERCIER, Desiré Joseph. Curso de filosofía ­ psicología. Buenos Aires: Anaconda, 1942.
O'ROURKE, Fran. Pseudo-Dionysius and the metaphysics of Aquinas. Notre Dame:
University of Notre Dame Press, 2005.
PASNAU, Robert. Theories of Cognition in the Later Middle Ages. Cambridge:
Cambridge University Press, 2003.
______. Thomas Aquinas on human nature. Cambridge: Cambridge University Press,
2002.
PIÑEDA, María Andrea. El impacto de la psicología Neoescolástica Experimental en
Argentina, a través de libros de psicología de circulación en el país: 1935-1965. 2005.
Disponível em: http://fafich. ufmg. br/~memorandum/artigos08/pineda02. htm. Acesso em:
17/11/2008.
SERTILLANGES, Antonin-Gilbert, O. P. La philosophie de S. Thomas d'Aquin. Paris:
Aubier, 1940.
SKINNER, Burrhus Frederic. Psychology: a behavioral reinterpretation ­ `man'. Proceedings
of the American Philosophical Society, 108, 1964, p. 482-485.
______. Science and human behavior. New York: MacMillan, 1953.
______. The behavior of organisms: an experimental analysis. New York: AppletonCentury-Crofts, 1938.
SCIASCIA, Ugo. Psicologia dell'apostolato. Roma: Coletti, s. d.
RODRÍGUEZ, Victorino, O. P. Los sentidos internos. Barcelona: PPU, 1993.
VELDE, Rudi Te. Aquinas on God: the divine science of the Summa Theologiae. Aldershot:
Ashgate, 2006.
______. Participation and substantiality in Thomas Aquinas. Trad A. P. Runia. Leien:
Brill, 1995.
VERNAUX, Roger. Filosofia do homem. Trad. Cristiano Maia e Roque de Aniz. São Paulo:
Duas Cidades, 1969.
WATSON, John Broadus. Behaviorism. Ed. revisada. Chicago: University of Chicago Press,
1930.
14

WIPPEL, John F. Metaphysical themes in Thomas Aquinas II: studies in philosophy and
the history of philosophy. Ed. revisada. Washington: Catholic University of America Press,
2007.
______ . The metaphysical thought of Thomas Aquinas: from finite being to uncreated
being. Washington: Catholic University of America Press, 2000.

15

Comentarios de los usuarios



No hay ningun comentario, se el primero en comentar