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Última actualización web: 19/01/2022

El enfermo alcohólico. La perspectiva de los enfermeros de la unidad de internamiento del Departamento de Psiquiatría y Salud Mental del Hospital del Espirito Santo de Évora.

Autor/autores: Helder Antonio Henriques Marques
Fecha Publicación: 01/03/2009
Área temática: Psiquiatría general .
Tipo de trabajo:  Conferencia

RESUMEN

Considerando que todo el proceso de cuidados se inserta en un sistema de creencias y de valores, de que son portadores los compañeros de los cuidados, los que los reciben y los que los prestan, que pueden influenciar la concepción de los cuidados de enfermería y su incidencia sobre la práctica (COLLIÉRE, 1999), se buscó identificar junto de todo el equipo de enfermería de la Unidad de Internamiento del Departamento de psiquiatría y Salud Mental del hospital del Espírito Santo de Évora (N=16), opiniones, creencias y conceptos, tanto sobre el enfermo alcohólico, como sobre los cuidados de enfermería a prestar, como sobre su auto-imagen, a través de entrevistas semi-estruturadas.

Los datos recogidos fueron tratados a través del "análisis de contenido" de las entrevistas (BOGDAN & BIKLEN, 1994), categorizadas y codificadas en torno a los conceptos fundamentales de la disciplina de enfermería, persona, ambiente, Salud, Cuidados de enfermería. No se pretendió asociar o clasificar los datos recogidos, pero sí describir las opiniones del referido equipo. Se observó que la mayoría del equipo describe con relativa facilidad su concepto de persona alcohólica y de su envolvência ambiental, pero dejando trasparecer poca creencia en la persona enferma y en sus intervenciones. También en relación a los conceptos de salud/enfermedad y de cuidados de enfermería el equipo demostró, de una forma general, capacidades de esclarecimiento de una filosofía de base, sin embargo con grandes dificultades en describir su aplicación en la práctica diaria.

Palabras clave: alcohol

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"O DOENTE ALCOÓLICO ­A PERSPECTIVA DOS ENFERMEIROS DA
UNIDADE DE INTERNAMENTO DO DEPARTAMENTO DE PSIQUIATRIA E
SAÚDE MENTAL DO hospital DO ESPIRITO SANTO DE ÉVORA"

AUTOR: Helder Antonio Henriques Marques
Enfermeiro Graduado, Licenciado em enfermagem, a exercer funções na
Unidade de Internamento do Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental do
hospital do Espirito Santo de Évora
PALAVRAS CHAVE: Doente alcoólico, estigma da doença mental, conceito de
enfermagem, cuidados de enfermagem.

RESUMO
No âmbito da cadeira de "Técnicas de investigação social" do 1º Curso de
Complemento de Formação em Enfermagem da Escola Superior de
Enfermagem S. João de Deus de Évora, foi desenvolvido este trabalho de
investigação, onde o autor se propõe a descrever a perspectiva que os
enfermeiros da unidade de internamento do Departamento de Psiquiatria e
Saúde Mental do hospital do Espirito Santo de Évora têm do doente alcoólico.
Considerando que todo o processo de cuidados se insere num sistema de
crenças e de valores, de que são portadores os parceiros dos cuidados, os que
os recebem e os que os prestam, que podem influenciar a concepção dos
cuidados de enfermagem e a sua incidência sobre a prática (COLLIÉRE, 1999),
procurou-se colher junto de toda a equipa de enfermagem do referido serviço
(N=16), opiniões, crenças e conceitos, tanto sobre o doente alcoólico, como
sobre os cuidados de enfermagem a prestar, como sobre a sua auto-imagem,
através de entrevistas semi-estruturadas.
Os dados colhidos foram tratados através da "análise de conteúdo" das
entrevistas (BOGDAN & BIKLEN, 1994), categorizadas e codificadas em torno
dos conceitos fundamentais da disciplina de enfermagem, Pessoa, ambiente,
Saúde, Cuidados de enfermagem.
Não se pretendeu associar ou classificar os dados colhidos, mas sim
descrever as opiniões da referida equipa.
Observou-se que a maioria da equipa descreve com relativa facilidade o seu
conceito de pessoa alcoólica e da sua envolvência ambiental, mas deixando
transparecer pouca crença na pessoa doente e nas suas intervenções.
Também em relação aos conceitos de saúde/doença e de cuidados de
enfermagem a equipa demonstrou, de uma forma geral, capacidades de
esclarecimento de uma filosofia de base, no entanto com grandes dificuldades
em descrever a sua operacionalização na prática diária.
INTRODUÇÃO
Em Portugal, o alcoolismo é a maior das toxidodependencias, transformandose num dos mais graves problemas de saúde pública a nível nacional.
O alcoolismo é uma doença primária, crónica, abrangendo factores
ambientais, psicológicos e genéticos que influenciam o seu desenvolvimento e
manifestações. A doença e frequentemente progressiva e fatal. É
caracterizada, continua ou periodicamente, por perda de controle sobre o
consumo de álcool.
A pessoa com problemas de alcoolismo pode ser considerada como um
doente temporal, relacional e emocional. Um doente em que a carga emotiva e
1

de sentimentos, tais como os ressentimentos, raiva, medo e emoções
negativas delineiam todo o seu relacionamento interpessoal.
Se considerar-mos a família como um sistema aberto, composto por
elementos em constante interacção, o alcoolismo resultará da interacção entre
três factores: O hospedeiro (o indivíduo), o agente (o álcool), o ambiente
(família/comunidade) (MELLO, 1988).
Também, segundo a Organização Mundial de Saúde, o alcoolismo "constitui
a totalidade dos problemas motivados pelo álcool, no indivíduo, estendendo-se
em vários planos, causando perturbações orgânicas e psíquicas, perturbações
da vida familiar, profissional e social, com repercussões económicas, legais e
morais".
No entanto, o não reconhecimento da doença, negando o problema, é o
maior obstáculo para a sua resolução, acompanhado pelos falsos conceitos
sobre o álcool e os seus efeitos.
É facto aceite, pelos profissionais das diversas formações académicas na
área da saúde, de que é na relação alcoólico/grupo/terapeuta que reside a
essência da ajuda terapêutica.
Aceitando, portando, que o meio envolvente influencia o doente alcoólico e
vice/versa e que aquando do internamento, os enfermeiros passam a fazer
parte desse meio.
Sendo o foco da enfermagem o estudo do cuidar (dos cuidados) no contexto
da experiência humana da saúde (LOPES, 2000), e a meta da enfermagem o
ajudar as pessoas a atingirem um alto grau de harmonia dentro de si, de forma
a promover o auto-conhecimento e o próprio desenvolvimento pessoal.
Considerando os cuidados de enfermagem como sendo o colocar ao dispor
de cada pessoa, os nossos conhecimentos, acompanhando-a nas suas
experiências de saúde, no seu ritmo e segundo o caminho que ela própria
escolher, possibilitando, numa atmosfera de respeito mútuo, o desenvolvimento
do potencial da própria pessoa sempre visando o bem estar, tal como ela o
define.
Considerando, tal como COLLIÉRE(1999), que todo o processo de
cuidados se insere num sistema de crenças e de valores, de que são
portadores os parceiros dos cuidados, os que os recebem e os que prestam,
que podem influenciar a concepção dos cuidados de enfermagem e a sua
incidência sobre a prática.
Havendo ainda o estigma da doença mental, que sem nos apercebermos,
nos leva a estabelecer uma identificação entre o sujeito, a pessoa e a doença,
acabando por fazermos comentários e termos atitudes como se a pessoa fosse
a própria doença, estigma que rotula, com a denotação vaga de "doença
mental", e conota pessoas como menos válidas, incapazes, imprevisíveis, más,
perigosas, etc. . .
Os enfermeiros de saúde mental, adquirirem competências próprias e são
detentores de um conjunto de saberes que desenvolvem a partir de sua
formação e experiência de acção. Conhecimento esse que se desenvolve em
grande medida no saber relacional, sendo por excelência, a empatia que define
o nosso melhor desempenho, pois é centrado no utente que o nosso trabalho
se desenvolve.
Considerando que o desenvolvimento da enfermagem passa também pela
reflexão sobre a sua prática, pareceu pertinente, tanto para o desenvolvimento
da qualidade dos cuidados prestados, como para o desenvolvimento da
profissão, o esclarecimento da perspectiva que a referida equipa de
enfermagem tem do doente alcoólico, através deste estudo, qualitativo e
2

basicamente descritivo, na esperança de detectar situações hipotéticamente
problemáticas ou situações possivelmente orientadoras de futuros estudos, que
viessem a contribuir para o grau de maturidade da equipa, tanto como grupo
como individualmente.


METODOLOGIA
O universo de estudo
Sendo uma das características da investigação qualitativa, a observação
das acções ou situações no seu ambiente habitual de ocorrência, de modo a
facilitar a sua compreensão(BOGDAN & BIKLEN, 1994), tal como a apreensão
das diferentes perspectivas adequadamente, optou-se por englobar no estudo,
todos os enfermeiros que durante os meses de Janeiro e Fevereiro de 2001 se
encontravam a trabalhar na unidade de internamento do Departamento de
Psiquiatria e Saúde Mental do hospital do Espirito Santo de Évora.
A equipa é composta por 16 enfermeiros, tendo no entanto sido excluídos 2,
o autor devido a ocupar o papel de investigador, e outra colega que se
encontra de baixa prolongada. A unidade de análise é assim constituída por 14
enfermeiros, caracterizada como a seguir de descrimina.
Gráfico 1: SEXO

6
8

Masculino

Feminino

MÉDIA DE IDADES: 38, 1 Anos

3

Gráfico 3: Categoria profissinal
10
10
EnfºGraduado

5

Enfº Especialista

3

Enfº Chefe

1
0

Nota: Foram considerei todos os enfermeiros com mais de 6 anos de serviço
como graduados, apesar de administrativamente alguns ainda não o serem.
Gráfico 4: Anos de serviço
8

7

6
4

3

2

1

0

6. 10

11. 15

16. 20

1
21. 25

1
26. 30

1
31. 35

MÉDIA DE ANOS DE SERVIÇO: 13, 5 Anos
Gráfico 5: Anos de serviço em psiquiatria
7
6
5
4
3
2
1
0

6

5
3

Anos de serviço em
psiquiatria

6. 1
11. 1
0
5
MÉDIA DE ANOS DE SERVIÇO EM PSIQUIATRIA: 6, 4 Anos
0. 5

4

Gráfico 6: Motivo de vinda para a psiquiatria
1
Opção pessoal
Imposição
organizacional
13

Técnica de recolha de dados
Sendo este um estudo basicamente descritivo, porque responde a questões
do tipo "O quê" ou "Quais" (FORTIN, 1999), pretendendo descrever neste caso
opiniões e perspectivas, optou-se por usar como técnica de recolha de dados a
entrevista semi-estruturada, a todos os enfermeiros englobados no estudo.
De acordo com BOGDAN & BIKLEN(1994), a entrevista é utilizada para
recolher dados descritivos na linguagem própria do sujeito, e o seu carácter
flexível permite aos sujeitos responderem de acordo com a sua perspectiva
pessoal e tomar a direcção que quiserem, usando as palavras que quiserem
para representarem o que têm a dizer.
Para a realização das entrevistas foi elaborado um Guião da entrevista, tendo
todas sido realizadas pelo autor, no próprio local de trabalho.
Foi efectuado registo magnético das entrevistas, para posterior transcrição e
análise.

Procedimentos de análise de dados
Sendo um dos métodos de eleição para um estudo descritivo
(FORTIN, 1999), optou-se pela análise de conteúdo das entrevistas, seguindo o
esquema proposto por BOGDAN & BIKLEN(1994).
1º Passo
Depois de transcritas todas as entrevistas, foram revistas e numeradas todas
as páginas sequencialmente e por ordem cronológica de acordo com o
momento em que foram realizadas, de modo a facilitar a localização.
Nesta fase foi desenvolvida uma lista preliminar das categorias de
codificação, marcando frases e/ou parágrafos considerados significativos em
termos de perspectivas e/ou opiniões.
2º Passo
Depois de vistas e revistas todas as unidades de dados (parágrafos e frases
significativos), as mesmas foram distribuídas por 16 códigos, numerados de 1 a
16:
1- O doente alcoólico; 2- Abordagem multisistémica; 3- O alcoólico e a
família; 4- O alcoólico e a sociedade; 5- O auto-conceito do alcoólico; 6Motivos que levam ao alcoolismo; 7- Atitudes do alcoólico perante os técnicos;
5

8- O papel do enfermeiro; 9- O papel do enfermeiro- estratégias; 10- O papel
do enfermeiro junto da família; 11- A expectativa que o doente alcoólico terá
em relação ao serviço; 12- A expectativa que o doente alcoólico terá em
relação aos enfermeiros; 13- Objectivos dos cuidados; 14- Os cuidados de
enfermagem prestados nesta unidade; 15- Condições necessárias ao
tratamento; 16- Como eu gostava que me tratassem.
3º Passo
Agrupar todas as categorias de codificação (com as respectivas unidades de
dados), em torno dos conceitos fundamentais da disciplina de enfermagem, de
forma lógica.
RESULTADOS
A pessoa
O doente alcoólico é na maioria das vezes entendido como a pessoa que. . . e
não como a doença; como a pessoa que tem as sua próprias características
diferentes e únicas relativamente a outra pessoa, em que factores emocionais
e dos sentimentos têm um papel fundamental, tal como toda a evolução da sua
história de vida.
É uma pessoa debilitada/degradada tanto emocionalmente como
economicamente como socialmente. É uma pessoa em que a estrutura familiar
está bastante alterada, sem objectivos, sem vontade e sem conhecimentos que
lhe permitam sair da situação, com a agravante de não reconhecer o problema.
É uma pessoa com bastantes dificuldades, que procura refúgio na bebida e
que terá de ser ajudada para conseguir ultrapassar esse problema, de acordo
com a sua vontade.
Salienta-se o reconhecimento e a importância dada á pessoa e não á
doença, tal como a importância dada aos aspectos emocionais, afectivos e o
respeito pela vontade do outro, mas é também evidente a pouca crença nas
capacidades da pessoa com dependência alcoólica, a pouca fé na
possibilidade de recuperação, como é exemplo a seguinte transcrição:
"(. . . )99% dos nossos internamentos de alcoólicos não que deixar de beber,
querem que a família não os chateie, eles próprios querem se afastar um
bocado para não lhe moerem muito a cabeça(. . . )"
Ambiente
As referências centram-se, de uma forma geral, num entendimento
multisistémico em que tudo o que é externo influencia a pessoa e é
influenciado pela mesma.
As crenças, as vivências, a evolução de vida, as emoções, os sentimentos,
as relações humanas, a sociedade, a cultura, a família, o reconhecimento do
estigma da doença mental e da culpabilização do doente alcoólico, são alguns
dos pontos tidos como influenciadores tanto dos utentes como dos técnicos.
Saúde/doença
As vivências passadas, as presentes e a imprevisibilidade da influência das
mesmas no tipo de resposta ás dificuldades surgidas durante a evolução do
ciclo de vida, é a principal característica transmitida nos testemunhos, como
por exemplo:
"(. . . )pode ser só pelo mero prazer de beber, como também pode ter sido um
incidente pessoal na vida que o leve a ingerir mais álcool durante um
6

determinado período, ou então o que também é muito comum nas coisas, uma
família com dificuldades económicas(. . . )".
A complexidade da situação é outra característica presente:
"(. . . )mas as situações que levam a beber , parece-me que não se
conseguem catalogar assim de ânimo leve. . . são várias(. . . ); (. . . )muito
dificilmente se encontrará uma pessoa que é alcoólica só porque, porque está
predisposta para(. . . )".
Cuidados de enfermagem
As opiniões em relação aos objectivos dos cuidados e ao papel do
enfermeiro, são transmitidas como sendo:
A prevenção, dar-lhe espaço de respeito, o reconhecimento da sua
situação, o estimulo da compreensão e aceitação do problema alcoolismo, a
isenção de juízos de valor, o desejo de ajudar, a partilha com a família, a
estabilidade, o apoio, o estabelecimento efectivo de uma relação de ajuda, o
reforço da auto-estima, a desculpabilização.
Contudo é a própria equipa a admitir, que existem deficiências nos cuidados
de enfermagem prestados até esta data:
"(. . . )temos isto, mas é muito pouco, e a malta fazer aqui umas coisas, fazer
umas vitaminas e blá, blá, blá. . . aquele esquema todo. . . ter aqui uns tipos
porreiros que estão prontos para ouvir e que não chateiam, não sei que
mais. . . e pá, não pode ser reconhecido por ninguém como sendo um
tratamento(. . . );
(. . . )basicamente o que a gente faz aqui é dar-lhe umas coisas para
melhorar o fígado. . . e depois aquele grande apoio que devia ser emocional,
estar com ele. . . é relativo, hoje acontece uma vez, amanhã não há
continuidade(. . . ).
A estrutura física do edifício, juntamente com a questão organizacional do
mesmo (principalmente inter-profissões), a falta de disponibilidade devido ao
elevado numero de doentes para os enfermeiros existentes por cada turno e a
pouca crença na reabilitação da pessoa com dependência alcoólica são as
principais causas apontadas para as deficiências de cuidados.
Salienta-se também que não são apenas referenciadas dificuldades e
atribuídas culpas, são também feitas propostas para melhorar:
"(. . . )O domínio de determinadas estratégias, de determinadas técnicas(. . . )";
"(. . . )saber aceitar a pessoa tal como ela é(. . . )";
"(. . . )tem que haver um programa muito bem estruturado, com regras muito
precisas e que tem de ser cumprido á risca, começando por o próprio doente
querer. . . querer deixar de beber(. . . )";
"(. . . )devíamos acreditar mais na recuperação deles(. . . )";
"(. . . )o domínio de determinadas formas terapêuticas, terapias, determinadas
técnicas(. . . )".
Se por um lado o grupo de enfermeiros não teve dificuldade em descrever
aquilo que imaginavam que os utentes esperavam deles como sendo:
Compreensão, ajuda, encaminhamento, cordialidade, disposição para ouvir,
medicamentos, aceitação;
por outro lado, quando questionado sobre como dar resposta a essa
presumível expectativa dos utentes e áquilo que o próprio grupo considerava
ser uma prestação de cuidados adequada, surgiram grandes dificuldades em
descrever com pormenor a prática do dia a dia.
Essa descrição ficou-se em grande parte por generalizações como, o ouvir, o
apoiar, o dar confiança, ficando difícil para um observador externo, perceber o
7

que os enfermeiros fazem ou que deveriam fazer na relação quotidiana com os
utentes.
DISCUSSÃO E CONCLUSÃO
Os enfermeiros, como membros de uma equipa de saúde, são coresponsáveis perante a população e a organização onde trabalham, pela
qualidade dos serviços prestados. Isto significa que é necessário conhecer e
compreender tanto a população como os factores organizacionais.
Tendo tido as práticas dos enfermeiros pouca visibilidade, é premente que os
enfermeiros desocultem, não só o que fazem, mas também que expliquem o
que são cuidados de enfermagem.
Quando se questiona o significado de determinadas situações ou conceitos
relacionados com o exercício diário, podemos estar a tornar visível a prática de
enfermagem.
Tendo em conta que as atitude individuais em relação ao álcool e ao
alcoolismo reflectem, em grande parte, a atitude da cultura de uma pessoa em
relação á bebida, também os enfermeiros como elementos integrados numa
cultura, são influenciados por ela.
De uma forma geral a equipa de enfermagem manifestou um grande respeito
pelos direitos e deveres de e para com o utente com dependência alcoólica. No
entanto, se o exercício de enfermagem compreende o estabelecimento de uma
relação em que a partilha, a fé, a esperança, o acreditar no utente é
fundamental, será que a evidência de pouca fé na possibilidade de
recuperação é alguma dificuldade sentida pelos profissionais na prática da
profissão?, ou apenas a constatação de uma realidade?, ou vestígios do
estigma da doença mental?
E o admitir da deficiência nos cuidados prestados, é uma influência da falta
de fé no utente?, ou uma desvalorização do trabalho feito?, ou a
exigência/sentimento de continuar a procura da melhoria da qualidade dos
cuidados?
Apesar da facilidade em transmitir uma abordagem multisistémica, de
caminho imprevisível e imbuída de subjectividade, com desvalorização da
abordagem bio-médica e valorização da individualização, do conhecimento e
do papel relacional, os enfermeiros identificaram mais facilmente actos
relacionados com prescrições médicas, do que os actos terapêuticos
desempenhados durante a sua intervenção relacional com os utentes,
acabando por lhes retirar visibilidade.
Esta mesma dificuldade é referenciada em estudos anteriores tanto por
LOPES(1999), como por BASTO & MAGÃO(2001).
Este trabalho foi apresentado e discutido em sessão de formação em serviço
com a equipa, tendo os presentes manifestado interesse pela reflexão das
conclusões e reconhecido a necessidade de melhorar nos pontos focados.
Reconhece-se como limitações do estudo, a sua validade apenas para o
universo estudado, e mesmo assim todas as análises e interpretações feitas
estão sujeitas á própria interpretação, crenças e valores do autor, no entanto, a
identificação de situações problemáticas que carecem de melhorias,
reconhecidas pela equipa, e a abertura de caminhos para novos estudos já
parece ser um dado positivo.


BIBLIOGRAFIA
8

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