PUBLICIDAD
Última actualización web: 28/01/2022

El concepto de muerte de niños portadores de cáncer.

Autor/autores: Daniella Antunes Pousa Faria Coelho
Fecha Publicación: 01/03/2009
Área temática: Psicología general .
Tipo de trabajo:  Conferencia

RESUMEN

FINALIDAD: Identificar la adquisición y el concepto de muerte de niños portadores de cáncer en etapa no terminal, teniendo como criterios la comprensión o no de la causalidad de la muerte y de los componentes de ese concepto: no funcionalidad, universalidad e irreversibilidad de la muerte. Como finalidad específica el estudio buscó confrontar los datos de la literatura con los hallazgos de esa investigación.

MÉTODO: Fueron entrevistados 10 niños con cáncer, en etapa no terminal, de ambos sexos, con edades entre 5 y 11 años. Dentro de esa franja etaria fueron analizados 2 niños de las respectivas edades: 5-6-7-9-11. La entrevista fue realizada de manera lúdica, usando marionetas. La guía de la entrevista fue elaborada con base en los datos de las investigaciones tradicionales en el área.

RESULTADOS: Los niños analizados comprenden la muerte como siendo algo triste, malo y asociado a la enfermedad. Sobre la comprensión de la causalidad de la muerte y de los criterios de ese concepto, los datos revelaron que con 5 anõs los niños analizados ya comprenden la causalidad de la muerte, con 6 comprenden la no funcionalidad, la universalidad y La irreversibilidad. Ese dato difiere de los estudios tradicionales que aseguran que los niños solo comprenderían estos criterios con edades más avanzadas.

CONCLUSIÓN: La presencia de la patología parece acelerar el proceso de desenvolvimiento del concepto de muerte en esos niños.

Palabras clave: Cáncer, Concepto de muerte, Niños

-----
Para más contenido siga a psiquiatria.com en: Twitter, Facebook y Linkedl.

VOLVER AL INDICE

Url corta de esta página: http://psiqu.com/1-4259

Contenido completo: Texto generado a partir de PDf original o archivos en html procedentes de compilaciones, puede contener errores de maquetación/interlineado, y omitir imágenes/tablas.

El concepto de muerte de niños portadores de cáncer

CÓDIGO CONFERENCIA: 41cof293965 (nº referencia/ticket 1631013629)
ÁREA TEMÁTICA: psicología y Psiquiatría

AUTORES:
Daniella Antunes Pousa FariaI
. Eulália Maria Chaves MaiaII .

TITULAÇÃO DOS AUTORES:
I - Psicóloga Especialista em Psicologia da Saúde pela Universidade Federal do Rio Grande
do Norte (UFRN), Mestre em Ciências da Saúde pelo Programa de Pós-Graduação em
Ciências da Saúde (PPGCSA). E-mail: daniella-psi@uol. com. br.
II ­ Professora Doutora em Psicologia Clinica pela Universidade de São Paulo (USP). Email: emcmaia@ufrnet. br
AUTOR CORRESPONDENTE: Daniella A. P. Faria. Endereço: Rua Coronel Luciano
Saldanha, 1736, Cidade Jardim, Natal/RN ­ Brasil. CEP ­ 59078-390. Fone: 0(XX)843217-6478/0(XX) 848805-7033.
INSTITUIÇÃO: Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)/ Programa de
Pós-Graduação em Ciências da Saúde. Endereço: Universidade Federal do Rio Grande do
Norte (UFRN)/ Centro de Ciências da Saúde)/ Programa de Pós-Graduação do Centro de
Ciências da Saúde (PPGCSA) ­ Rua General Cordeiro de Farias, S/n, 2 o Andar, Sala da
Secretaria do PPGCSA, CEP ­ 59012-570 ­ Natal-RN ­ Brasil.

RESUMEN
FINALIDAD: Identificar la adquisición y el concepto de muerte de niños portadores de
cáncer en etapa no terminal, teniendo como criterios la comprensión o no de la causalidad
de la muerte y de los componentes de ese concepto: no funcionalidad, universalidad e
irreversibilidad de la muerte. Como finalidad específica el estudio buscó confrontar los
datos de la literatura con los hallazgos de esa investigación. MÉTODO: Fueron
entrevistados 10 niños con cáncer, en etapa no terminal, de ambos sexos, con edades entre 5
y 11 años. Dentro de esa franja etaria fueron analizados 2 niños de las respectivas edades:
5-6-7-9-11. La entrevista fue realizada de manera lúdica, usando marionetas. La guía de la
entrevista fue elaborada con base en los datos de las investigaciones tradicionales en el
área. RESULTADOS: Los niños analizados comprenden la muerte como siendo algo triste,
malo y asociado a la enfermedad. Sobre la comprensión de la causalidad de la muerte y de
los criterios de ese concepto, los datos revelaron que con 5 anõs los niños analizados ya
comprenden la causalidad de la muerte, con 6 comprenden la no funcionalidad, la
universalidad y La irreversibilidad. Ese dato difiere de los estudios tradicionales que
aseguran que los niños solo comprenderían estos criterios con edades más avanzadas.
CONCLUSIÓN: La presencia de la patología parece acelerar el proceso de
desenvolvimiento del concepto de muerte en esos niños.
Palabras Clave: Concepto de Muerte, Niños, Cáncer.

ABSTRACT

OBJECTIVE: To identify the acquirement and death concept from sick children at a nonterminal cancer phase, taking subjects like comprehension of death causality and his
components: non-functionality, universality and irreversibility. The specific objective of
this study is comparing literature data with results of the research. METHOD: Interview of
10 sick children at a non-terminal cancer phase, of both of sex, between 5 and 11 years-old.
Afterwards, there was the interview analysis of 2 children in the age of (each): 5-6-7-9-11
years-old. The interview has been done using little puppets, and his screenplay has been
elaborated based on traditional data researches. RESULTS: Children understand death like
something sad, bad and attached to illness. Data still have revealed that at the age of 5 years
old, children already understand death causality, at 6 years old they understand death nonfunctionality, universality and irreversibility. Those data were different of traditional one
which affirm that children only understand those concepts when they are older.
CONCLUSION: The pathology (cancer) seemed to be an accelerant agent of the death
concept developing in those children.

Key words: Death Concept, Children, Cancer.

INTRODUÇÃO

A aquisição do conceito de morte em crianças é apontada como um dos mais
importantes princípios organizadores da vida, sendo extremamente significativo para a
formação da personalidade e do desenvolvimento cognitivo e afetivo 1-4. Sendo assim, o
ocultamento da verdade sobre a morte pode prejudicar o processo de luto da criança, bem
sua futura concepção de morte5-8.
Ao abordarem o desenvolvimento do conceito de morte em crianças, as pesquisas o
fazem relacionando-o aos diversos estágios do desenvolvimento infantil1,

6-10

utilizando

principalmente a teoria de Jean Piaget. Estas pesquisas apontam como principais
componentes deste conceito: a irreversibilidade, a não-funcionalidade e universalidade da
morte.
A irreversibilidade refere-se à compreensão de que o corpo físico não pode viver, ou
retornar após a morte9, 11. A não-funcionalidade diz respeito à compreensão de que com a
morte todas as funções vitais (respirar, pensar, sentir, entre outras) se cessarão 9, 11. A
universalidade relaciona-se com a compreensão de que todas as coisas vivas morrem 9, 11. As
crianças que ainda não atingiram a universalidade da morte acreditam que certas pessoas
podem não morrer por serem espertas, ou por sorte5.
No que se refere a aquisição do conceito de morte em crianças as pesquisas
13

1, 7, 9, 11, 12,

apontam que anterior a 2 anos, as crianças não possuem uma compreensão acerca da

morte, pois se encontram no estágio sensório-motor, não distinguindo assim, mundo interno
de externo. Ao completar 5 anos, conseguem tornar este conceito mais realista, embora
ainda não possuam a compreensão da irreversibilidade da morte, está só se inicia no final
do estágio operacional-concreto (7 anos aproximadamente). Dos 6 aos 7 anos, a criança

tende a associar a morte a causas específicas, como velhice, assassinato, doença, mas
continua sem a compreensão da irreversibilidade da morte. Na idade de 8 anos a criança se
caracteriza por possuir uma aceitação não emocional da inevitabilidade da morte. Aos 9
anos as crianças tendem a relacionar a morte segundo aspectos biologicamente essenciais.
Aos 10 e 11 anos a criança compreende que a morte implica em deterioração do corpo. Aos
12 anos revelam interesse pelo que ocorre depois da morte.
Permeando a literatura percebe-se que são poucas as pesquisas, principalmente no
Brasil, que estudam se crianças que vivenciam experiências específicas, tais como a
presença de uma doença grave, como o câncer, desenvolve este conceito nesta mesma
ordem de desenvolvimento. Sendo assim, tendo em vista que algumas pesquisas apontam
que a criança terminal pode ter uma concepção mais amadurecida da morte 13-17, esta
pesquisa objetivou identificar a aquisição e o conceito de morte em crianças que possuem
câncer em estágio, porém, não terminal, tendo como critérios a compreensão da causalidade
da morte e dos componentes deste conceito: não-funcionalidade, universalidade e
irreversibilidade da morte. Como objetivo específico o estudo procurou confrontar os dados
da literatura com os achados desta pesquisa.
Com estas evidências, o profissional de saúde poderá ajudar de forma mais adequada
a criança com câncer compreender as questões referentes a morte e o morrer, respeitando
cada etapa que ela vivência, não tentando fazer com que esta se antecipe. Além disso, com
estes achados a equipe poderá estar mais preparada para responder com clareza e
adequação ao nível de desenvolvimento do paciente as perguntas formuladas por ele.

METODO
Sujeitos
Foram entrevistadas 10 crianças com câncer, em estágio não terminal, de ambos os
sexos, com idades entre 5 e 11 anos, que freqüentam a Casa de Apoio à Criança com
Câncer Durval Paiva*. O critério utilizado para escolha dessas crianças, foi o grau de
evolução da doença, sendo pesquisadas crianças em estágio não terminal. Dentro da faixa
etária, supracitada, foram analisadas 2 crianças das respectivas idades: 5-6-7-9-11. Estas
foram escolhidas, exceto a de 11 anos+, pelo fato das pesquisas

1, 4, 5, 8, 11, 12

apontarem que

nestes períodos ocorrem mudanças significativas na conceituação de morte.
Material
Utilizou-se um roteiro de entrevista baseado em pesquisas já consagradas na área 6, 8,
este continha as seguintes questões: O que é a morte para você? ; Para você quais são as
coisas no mundo que podem morrer?; Uma caneta pode morrer? E uma porta pode?; Um
animal, por exemplo, um cachorrinho, um passarinho, um peixinho, pode morrer?; E uma
pessoa morre, eu, por exemplo, eu posso morrer?; Como você sabe que um animalzinho
está morto?; E uma pessoa como você sabe?; Quando alguém esta morto pode comer? E
respirar?; A pessoa quando esta morta pode ouvir as pessoas que estão vivas falando?;
Quando uma pessoa morre o que ocorre depois? Ela pode voltar?.
Procedimentos Metodológicos
Inicialmente este projeto foi submetido ao comitê de ética da Universidade Federal do
Rio Grande do Norte, obedecendo a Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde e
mediante a sua aprovação (Protocolo nº 119/04) o grupo de pesquisadores pediu permissão
aos pais para entrevistar as crianças mediante Termo de Consentimento. Após aprovação

dos pais, foram efetuadas as perguntas supracitadas, que foram realizadas de forma lúdica,
utilizando fantoches.
Análise dos Dados
A análise dos dados foi efetuada através de Análise Temática18. Os dados foram
analisados tentando se observar os seguintes pontos: 1 ­ O conceito de morte em crianças
portadoras de câncer; 2 - A compreensão da causalidade; da irreversibilidade, da
universalidade e da não-funcionalidade da morte.

RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados da pesquisa revelaram que as crianças com idades acima de 7 anos
possuem um conceito de morte mais aprimorado do que as com idades inferiores. Sendo
assim, pode-se afirmar que as crianças analisadas, também desenvolvem o conceito de
morte de forma gradual ao longo do desenvolvimento infantil, não se diferenciando, neste
aspecto, das pesquisas que analisaram o conceito de morte em crianças sem esta patologia 19

.
Porém, se faz importante ressaltar que como aponta a teoria sócio-histórica o

processo de desenvolvimento de um conceito não depende somente da idade cronológica,
mas também, das experiências da criança e da aquisição das ferramentas culturais 19. A
importância da experiência de vida ficou em evidência nas respostas das crianças
analisadas, que associaram a morte à doença, aos processos de tratamento e a vivência no
hospital, que está marcada tão pesadamente em suas histórias de vida. Como exemplo,
seguem-se as seguintes falas:
­

Entrevistador: O que é morte para você?

­

(L. P. F ­ 7 anos ) - "É uma coisa quando a gente tá doente. Pronto, se eu tô com
uma doença no coração eu morro".

­

Entrevistador: Como você sabe quando uma pessoa está morta?

­

(G. K. R ­ 6 anos ) - "Quando o bandido mata, ou então quando tá no hospital com
câncer".

Em ambos os discursos podem-se perceber que o conceito que as crianças trazem da
morte está ligado as suas vivências particulares: ter um câncer, o que confirma a idéia
supracitada19.
Outro fato que também ficou evidente nas falas das crianças foi que a morte para elas
está relacionada a algo ruim e triste. Esta percepção da morte pode ser compreendida como
reflexo da realidade cultural na qual estas crianças já tão cedo estão imersas. Realidade
esta, característica do séc. XX em que o homem tenta negar e ocultar a morte, pois esta é
percebida como injusta, ruim7, 20, 21, 22. Toda esta realidade cultural é transmitida a criança,
que absorve estes dados culturais e constroem um conceito negativo de morte.
No que se refere a compreensão da causalidade da morte e dos componentes deste
conceito, ou seja, não-funcionalidade, universalidade e irreversibilidade da morte,
evidenciou-se os seguintes resultados:

Compreendendo a Causalidade da Morte:
Segundo os estágios propostos por Piaget é no período pré-operacional (2 ­7 anos
aproximadamente) que a criança começa a adquirir a noção de causa e efeito2. Todavia, este
critério só vem a se solidificar no final deste estágio, por volta dos 6/7 anos de idade.
Portanto, teoricamente a criança só poderia compreender a causalidade da morte, se ela já

tiver atingido este estágio. Porém, no que se refere aos resultados desta pesquisa, as
crianças analisadas já compreendem este critério a partir de 5 anos de idade.
A justificativa para este resultado pode ser explicada pela vivência particular destas
crianças, em que constantemente passam por procedimentos traumáticos, tratamentos
dolorosos e até mesmo presenciam a morte de outras crianças. Todas estas vivências podem
servir como catalisadoras no processo de compreensão da causalidade da morte,
corroborando mais uma vez com a teoria sócio-histórica 19, para o qual não existem estágios
pré-fixados de desenvolvimento, pois não existiria natureza humana, ou seja, não existiria
um homem apriorístico, não havendo, portanto, uma natureza em cada homem (natureza
que determina suas possibilidades), mas sim realidades construídas a partir de experiências
culturais. Para esta teoria o que determina a aquisição de um conceito não depende somente
da idade cronológica, mas as experiências culturais dos sujeitos 19.
Em todos os discursos das crianças entrevistadas percebeu-se a compreensão deste
critério enfatizando como causa da morte a doença e a velhice, o que poderia nos levar a
concluir que crianças portadoras de câncer compreendem a causalidade da morte a partir
dos 5 anos de idade. Porém, ao se realizar generalizações em relação à compreensão de
qualquer um destes componentes do conceito de morte, pode-se cair em erros, pois há a
possibilidade desta realidade retratada não se constituir numa amostra significativa.
Todavia, ao se generalizar apenas para a amostra pesquisada, pode-se afirmar o citado
acima. Ressalta-se ainda que este dado vem contrariar algumas pesquisas tidas como
tradicionais1, 11, 23, segundo a qual a causalidade da morte só vem a ser compreendida e
adquirida pelas crianças, a partir dos 6 e 7 anos de idade.

A compreensão da Não-funcionalidade:
A compreensão deste critério está intimamente relacionada à compreensão da
oposição entre objetos animados e inanimados, pois para compreendê-lo a criança
necessita ter claro que os seres animados possuem funções vitais e que estas um dia se
cessarão, tendo como conseqüência a morte.
Quanto avaliação desse item, as crianças pesquisadas, com idades a partir de 6 anos,
compreendem claramente a oposição entre animados e inanimados. Como exemplo,
seguem-se as seguintes falas:
­

Entrevistador: Uma caneta pode morrer? E uma porta Pode? Porque?

­

J. N. M (6 anos) ­ " Não. Não Também, porque não tem vida".

­

V. B. O (11 anos) ­ "Não. Não também. Parque ela não vive. Ela pode se quebrar.
Meu pai quebrou uma porta lá em casa com um chute".

­

Entrevistador: E uma pessoa morre, eu, por exemplo, posso morrer?

­

J. N. M (6 anos) ­ " É claro".

­

F. B. C (11 anos) ­ "Pode, todo mundo um dia morre".
Estes resultados, em que crianças já aos 6 anos compreendem a não-funcionalidade

da morte difere dos resultados dos estudos tidos como tradicionais 1, 10, 11, para os quais este
critério não pode ser compreendidos por crianças tão jovens.
Além disso, as seqüências discursivas das crianças entrevistadas permitiram observar
que estas compreendem que ao morrer o ser permanece imóvel, não conseguindo respirar,
falar ou sentir cheiros, como mostram as seguintes falas:
­

Entrevistador: Como você sabe que um animalzinho está morto?

­

F. H. J (7 anos) ­ "Porque ele fica mucho, mufado". Como assim mufado? "Fica
mole".

­

U. M. C (9 anos) ­ "Quando ele para de respirar e de bater o coração".
Observou-se ainda que não existiram maiores diferenças nas respostas das crianças

do que se pode ou não morrer, sendo os animais, as pessoas e as plantas, os primeiros a
serem mencionados.
Há uma peculiaridade que não pode ser deixada de lado, pois 95% das crianças
entrevistadas apresentaram dúvida, quando questionadas sobre a capacidade do morto em
escutar os vivos. Esta dúvida pode ser representada pelo seguinte discurso abaixo:
­

Entrevistador: A pessoa quando esta morta pode ouvir as pessoas que estão vivas
falando?

­

G. K. R (6 anos) ­ "Pode. Minha mãe manda eu rezar pras alma". Mas o corpo
quando está morto ele pode ouvir? G. K. R (6 anos) ­"Sei não".
Este discurso nos sugere que, provavelmente, este escutar o qual estas crianças estão

se referindo é fruto da crença popular ou religiosa, de que os espíritos podem ouvir as
pessoas falando. Este aspecto pode ser explicado como reflexo da crença na qual estas
crianças estão imersas: a crença em uma vida espiritual, tão presente na cultura brasileira.
Além disso, em se tratando de crianças com câncer, verifica-se que, por estas crianças
estarem vivenciando, mais objetivamente, a iminência da morte, é comum seus pais
rezarem mais continuamente, e terem uma forte crença religiosa em busca de que alguma
`força superior', possa curar seus filhos. Este dado pode ser uma possível explicação para a
dúvida da questão supracitada. Sendo assim, esta evidência não se constitui um indício de
que estas crianças ainda não compreendem a não-funcionalidade da morte.
No que se refere as crianças de 5 anos que foram entrevistadas, percebe-se uma certa
confusão acerca da oposição entre animado e inanimado, não possuindo ainda a
compreensão de quais as coisas podem morrer.

A questão da Universalidade da morte:
A compreensão deste critério pela criança também está relacionada à compreensão
da oposição entre animados e inanimados, e conseqüentemente, da apreensão da nãofuncionalidade da morte5. Assim, para a compreensão da universalidade da morte a criança
necessita realizar generalizações, pois só após esta etapa que a criança poderá estabelecer
relações entre morte e humanidade, em uma categoria no qual ela própria está incluída.
Ressalta-se, porém, que se evidenciou que uma criança aos 5 anos, (V. L. A), já
compreende a oposição entre animados e inanimados, compreendendo que os primeiros
podem morrer. Além disso, percebe-se que esta criança já consegue realizar pequenas
generalizações, entendendo que a morte é universal para alguns animais e seres humanos.
Como exemplo segue-se a fala abaixo:
­

Entrevistador: Para você quais são as coisas no mundo que podem morrer?

­

V. L. A (5 anos) - "Gato, cachorro, pessoa". Só?. É, só isso.

­

Uma caneta pode morrer? E uma porta pode? Porque?

­

V. L. A (5 anos) - "Não. Não. Porque né de verdade".
Este dado difere das pesquisas tradicionais para as quais este critério só poderá ser

compreendido por crianças a partir dos 7/8 anos de idade 1, 4, 11. Todavia se faz importante
salientar que as crianças analisadas com idades acima de 7 anos compreenderam este
critério de forma mais integral, emitindo um conceito mais elaborado. Este dado pode ser
justificado pelo fato de que neste estágio as crianças adquirem condições intelectuais de
compreender de forma mais efetiva seu corpo e sua doença 24. Como exemplo segue-se a
seguinte seqüência discursiva:
­ Entrevistador: Para você quais são as coisas no mundo que podem morrer?

­

V. B. O (11 anos) ­ "Cachorro, gato, a gente, as plantas, os animais todos, as plantas
todas. Todas as coisas que nascem, cresce, reproduz e morre".

A Irreversibilidade da morte:
Os resultados revelaram que as crianças analisadas já possuem a compreensão deste
critério a partir dos 6 anos de idade, dado este que novamente se diferenciou dos estudos
tradicionais

1, 9, 10, 11, 12

, para os quais este critério só pode ser compreendido aos 7 anos de

idade, pois é só no estágio das operações-concretas que a criança possuiria condições de
representar a reversibilidade, ou seja, de reverter mentalmente um tipo de raciocínio. Como
exemplo da compreensão deste critério por estas crianças destacam-se as seguintes falas:
­

Entrevistador: Quando uma pessoa morre o que ocorre depois? Ela pode voltar?

­

J. N. M (6 anos) ­ "De noite a alma vem pra assombrar nós". Mas a pessoa assim
como eu e você de carne e osso pode voltar?. J. N. M (6 anos) ­ "Assim não, só
pode se for a alma".

­

V. B. O (11 anos) ­ "Pode, mas só se for em outro mundo". E no nosso mundo
pode?. V. B. O (11 anos) ­"Pode não
As respostas acima poderiam nos levar a supor que as crianças acima não possuem a

compreensão deste critério, já que estas mencionaram que há algo que retorna à terra após
a morte. Todavia, quando foi refeita a pergunta à estas crianças, (Mas, assim, a pessoa,
como nós estamos aqui, pode voltar a viver depois que morre?) elas afirmaram que o que
pode voltar a viver é o espírito. Desta forma, este dado não se constitui um indício da não
compreensão da irreversibilidade da morte, sendo este, portanto, uma crença religiosa,
produto da realidade cultural na qual estas crianças estão imersas.

CONCLUSÃO

Neste estudo verificou-se que crianças que possuem uma doença grave, como o
câncer, parecem adquirir mais cedo os componentes determinantes para compreensão do
conceito de morte. Sendo assim, a presença da patologia pareceu agir como um agente
catalisador, acelerando o processo de desenvolvimento do conceito de morte. Finalmente,
foi possível constatar que a teoria de Piaget parece não se configurar como esboço
completo para o conhecimento da compreensão da criança sobre a morte, uma vez que,
esta teoria enfatiza o desenvolvimento cognitivo independente das experiências
vivenciadas25. Por fim, destaca-se que esta pesquisa corroborou com as pesquisas que
apontam que o conceito de morte pode ser modelado por diversas variáveis, dentre as quais
se destaca a experiência de uma doença grave25, 26.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Kane, B. Children´s Conception of Death. Journal of Genetic Psychology 1979;
134: 373-386.
2. Piaget, J. Problemas de psicologia genética. Rio de Janeiro: Forense; 1973.
3. Kastenbaum, R. , Aisenberg, R. Psicologia da morte. São Paulo: Pioneira-ed. da
Universidade de São Paulo; 1983.
4. Bomberg, MHPF; Kovács, M. J, Carvalho, MMM, Carvalho, VA. Vida e Morte:
Laços de existência. 2a. Edição. São Paulo: Casa do psicólogo; 1996.
5. Kovács. MJ. Morte e desenvolvimento humano. 2a edição. São Paulo: Casa do
psicólogo; 1992.
6. Torres, WC. A criança diante da morte ­ desafios. São Paulo: Casa do psicólogo;
1999.
7. Torres, WC. O tabu frente ao problema da morte. Arquivos Brasileiros de
psicologia 1979; 31(1): 31-41.
8. Nunes, DC, Carraro, L, Jou, GI. , Sperb, TM. As crianças e o conceito de morte.
Psicologia, Reflexão e Crítica 1998; 11(3): 579-590.
9. Speece, MW, Brent, S. Children's understanding of death: a review of three
components of death concept. Child Development 1984; 55: 1671-1686. [Medline]
Gesell, A, Ilg, Fl, Ames, LB. El adolescente de 10 a 16 años. Buenos Aires:
Piados; 1971.
10. Hansen, Y. Development of the concept of death: cognitive aspects [Tese de
Doutorado]. California: California School of professional pycholoy; 1972.

11. Aberastury, A. A percepção da morte na criança e outros escritos. Porto Alegre:
Artes Médicas; 1984.
12. Chiattone, HBC. A criança e a morte. In: Camom, V. A. A, organizador. E a
psicologia entrou no hospital. São Paulo: Pioneira Thomson Learning; 2001. p. 69106.
13. Waechter, E. Children's awareness of fatal illness. American Journal. of Nursing,
1971; 71: 1168-1172.
14. Spinetta, J, Rigler, DJ, Karon, M. Personal space: a measure of dying child's sense
of isolation. Journal of Consulting and Clinical Psychology 1974; 42: 751-756.
[Medline]
15. Cotton, CR, Range, L. Children's death concepts: relationship to cognitive
functioning, age, experience with death, fear of death and hopelessness. Journal of
Clinical Child Psychology 1990; 19: 123-127.
16. Bolduc, J. A developmental study of the relationship between experiences of death
and age and development of the concept of death [Tese de doutorado]. Ann Arbor
(Michigan): Columbia University; 1972
17. Demartini, ZBF. História da vida na abordagem de problemas educacionais. In:
Simson, O. M. V. , organizador. Experimentos em história de vida. São Paulo:
Revista dos tribunais; 1988. p. 25-40.
18. Vygotsky, LS. Pensamento e Linguagem. 2a edição. São Paulo: Martins Fontes;
1998.
19. Ariès, P. Sobre a História da morte no Ocidente ­ desde a Idade Média. Lisboa:
Teorema; 1989.

20. Ariès, P. O homem diante da morte. Rio de Janeiro: Francisco Alves; 1990.
21. Sebastiani, RW. O ideal de cura no hospital e as manipulações da morte. In:
Chiattone, HBC, Andreis, M, organizadores. Os Limites da vida. Serviço de
Psicologia. São Paulo: Santa casa de São Paulo; 1993. p. 34-37.
22. Cousinet, R. L'idée de la mort chez énfant. J. Psychol: 1939. p. 65-75
23. Kuler-Ross, E. On Children and Death. Nova York: Macmillan; 1983.
24. Torres, WC. O conceito de morte em crianças portadoras de doenças crônicas.
Psicologia, Teoria. e Pesquisa 2002 maio/ago; 18(2):. 221-229.
25. Bibace, R, Walsh, ME. Development of children's conceptions of illness. Pediatrics
1980; 66: 912-917.

NOTAS
* A Casa de Apoio à Criança com Câncer Durval Paiva é uma instituição sem fins
lucrativos, que ampara e atende a criança e o adolescente portador de câncer, oferecento
auxílio para aquisição de medicamentos, passagens e próteses, além de tratamento
odontológico, psicológico, atividades sócio-educativas e lazer.

+ Os autores aqui citados apontam que há uma mudança significativa quanto a aquisição do
conceito de morte em crianças de 12 anos de idade. Todavia, durante o período que foi
realizado esta pesquisa não se encontrou nestas instituições crianças desta faixa etária,
sendo então pesquisadas crianças de 11 anos de idade.

Comentarios de los usuarios



No hay ningun comentario, se el primero en comentar