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Última actualización web: 26/06/2022

ASPECTOS PSICOLÓGICOS Y ADHERENCIA AL TRATAMIENTO ANTIHIPERTENSIVO CON COMORBILIDADES

Autor/autores: Brenda Luanna F.C.Dantas , Joao Carlos Alchieri, Mª Fernanda de O. Carvalho, Marianna Carla M.D. Lucena, Shirllane Karla Nunes
Fecha Publicación: 30/03/2014
Área temática: Psicología general .
Tipo de trabajo:  Conferencia

RESUMEN

La hipertensión, síndrome crónica caracterizada por la presencia de la presión arterial elevada, exige
la adhesión permanentemente con cambios de comportamiento y de estilo de vida, con o sin el uso
de drogas.
Para el éxito del tratamiento es importante comprender la naturaleza de los componentes
psicológicos implicados en las estrategias adoptadas para aplicar los cambios de comportamiento
necesarios.

Palabras clave: tratamiento, adhesión

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ASPECTOS PSICOLÓGICOS Y ADHERENCIA AL TRATAMIENTO
ANTIHIPERTENSIVO CON COMORBILIDADES
PSYCHOLOGICAL ASPECTS AND ADHERENCE TO ANTIHYPERTENSIVE TREATMENT
WITH CO ­ MORBIDITIES
ASPECTOS PSICOLÓGICOS E ADESÃO AO TRATAMENTO ANTI-HIPERTENSIVO
COM CO-MORBIDADES


Brenda Luanna F. C. Dantas(1); João Carlos Alchieri(2); Maria Fernanda de O. Carvalho(3); Marianna Carla M. D. Lucena(4); Shirllane Karla S. Nunes(5);
(1) Psicológa. Mestranda em Avaliação Psicológica pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte;
(2) psicólogo. Pós doutorado pela Universidade de Brasília. Professor Adjunto do Departamento de
Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte;
(3) Psicológa. Mestranda em Avaliação Psicológica pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte;
(4) Psicológa. Mestre em Avaliação Psicológica pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte;
(5) Graduanda do curso de Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
Brenda. luanna@yahoo. com. br
psicometría, evaluación psicológica, la hipertensión arterial, la comorbilidad, MBMD
Psychometrics, psychological assessment, hypertension, comorbidity, MBMD.
Psicometria, avaliação psicológica, hipertensão, comorbidades, MBMD

RESUMEN:
La hipertensión, síndrome crónica caracterizada por la presencia de la presión arterial elevada, exige
la adhesión permanentemente con cambios de comportamiento y de estilo de vida, con o sin el uso
de drogas. Para el éxito del tratamiento es importante comprender la naturaleza de los componentes
psicológicos implicados en las estrategias adoptadas para aplicar los cambios de comportamiento
necesarios. Objetivos: Investigar la evidencia de validez de lo inventario de personalidad Millon Behavioral Medicine Diagnostic-MBMD para los pacientes con hipertensión y la investigación de indicadores
de carácter general y psicológico, que participan en la adherencia al tratamiento. Método: contados
con una muestra de 100 participantes, organizados en dos unidades de salud y hospital universitario
de la ciudad de Natal/RN, predominantemente femenina, com pareja y la escolaridad entre primaria
y nível medio. Resultados: Las análisis estadísticas con respecto a la cuestión de las comorbilidades,
se estableció que, en relación con los malos hábitos de salud, obtenido resultados significativos en
las escalas de alcohol, los alimentos, el tabaco y la cafeína, lo que indica que los pacientes con comorbilidades finalmente consumen mayores cantidades de alcohol, del tabaco y la cafeína, así como
más descuidan de la alimentación. Estos datos pueden servir como indicación para inferir que los que
tienen algún tipo de co-morbilidad asociada no adoptan comportamientos de adaptación, y el hecho
de tener una enfermedad asociada podrían operar como un factor para impedir la adherencia.


ABSTRACT:
Systemic arterial hypertension, chronic syndrome characterized by the presence of elevated blood
pressure, demand adherence pemanentemente with behavioral changes and lifestyle, with or without
the use of drugs. For successful treatment, it is important to understand the nature of psychological
components involved in the strategies adopted to implement the necessary behavioral changes. Objectives: To investigate the validity evidence of the personality inventory Millon Behavioral Medicine
Diagnostic-MBMD for patients with hypertension, and research indicators, and general psychological imprint, implicated in adherence to the treatment. Method: for it is told, initially, with a sample
of 100 participants, arranged in two health care and university hospital in the city of Natal/RN, and
this sample was predominantly female, in stable and schooling between elementary and complete
medium. Results: Statistical analyzes with respect to the question co-morbidities, it was established
that, in relation to bad health habits for significant results on the scales of alcohol, food, tobacco and
caffeine, indicating that those patients with comorbidities eventually consume higher amounts of alcohol, tobacco and caffeine, as well as more neglecting the feed. Such data may serve as indication
to infer that those who have some sort of co-morbidities associated with hypertension do not adopt
adaptive behaviors, and the fact of having a disease associated could operate as a factor to hinder
adherence.

RESUMO:
A Hipertensão arterial, síndrome crônica, caracterizada pela presença de elevação da pressão arterial, exige de forma permanente a adesão à mudanças de comportamento e estilo de vida, com ou
sem o uso de medicamentos. Para o sucesso do tratamento é importante compreender a natureza
dos componentes psicológicos envolvidos nas estratégias adotadas para implementar as mudanças
comportamentais necessárias. Objetivos: investigar evidências de validade do inventário de personalidade Millon Behavioral Medicine Diagnostic - MBMD para pacientes com hipertensão, bem como indicadores psicológicos e de caráter geral, envolvidos na adesão. Método: contou-se com uma amostra de 100 participantes, dispostos em duas unidades de saúde e hospital universitário na cidade
de Natal/RN, predominantemente do sexo feminino, com união estável e escolaridade entre o nível
fundamental e médio. Resultados: Com análise estatística em relação à questão das co-morbidades,
foi estabelecido que, em relação a hábitos de saúde negativos, obtiveram-se resultados significativos
nas escalas de álcool, alimentação, tabaco e cafeína, indicando que pacientes com co-morbidades,
em última análise, consomem maiores quantidades de álcool, tabaco e cafeína, assim como adotam alimentação mais desregrada. Estes dados podem servir como indicativo para inferir que esses
pacientes que têm algum tipo de co-morbidade associada tendem a não adotar comportamentos
adaptativos.


INTRODUÇÃO:
A Hipertensão Arterial Sistêmica ­ HAS ­ já é classificada como uma das doenças crônicas
mais comuns, sendo um problema de saúde publica e contribuindo para doenças cardiovasculares,
derrame e problemas renais

(1, 2, 3).

Para que um sujeito seja considerado hipertenso é necessário que apresente pressão arterial maior ou igual que 140mmHg (pressão sistólica) por 90mmHg (pressão
diastólica) ou popularmente conhecido como 14 por 9

(4).

Entendida como uma doença de natureza multifatorial, a HAS é na maioria das vezes
associada a alterações metabólicas e hormonais, caracterizando-se essencialmente pela elevação
da pressão arterial, sendo um dos principais fatores de risco cárdio e cerebrovasculares, bem como
de complicações renais

(5).

A HAS não possui um quadro de causas bem determinado e os sintomas
manifestam-se de forma "silenciosa"; em 95% dos casos não se encontra uma causa primária ou
essencial que a justifique, o que torna dificultosa a delimitação do início de seu aparecimento

(6).

Estudos colocam a diabetes como sendo a principal comorbidade associada à HAS, seguida de
AVC. Em um estudo realizado no Nordeste do Brasil, com 118 pacientes internados em uma emergência
por causa de crise hipertensiva, uma complicação súbita da hipertensão arterial, foi encontrado uma
prevalência de 15% de obesidade, 30, 5% de dislipidemia, 25, 4% de doença cardíaca, 22% de doença
vascular periférica, 20% já tinham tido acidente vascular cerebral, 15% tinham diabetes e 13, 6%
doença renal. Esses dados mostram a significância da hipertensão arterial e sua associação com
complicações severas que modificam a vida dos indivíduos

(13).

Já em estudo realizado em Fortaleza- CE revelou que 73, 7% de hipertensos descompensados fazem tratamento para algum problema de
saúde existente; 13, 9% tratam o diabetes; 10, 5% a doença cardíaca; 2, 7% referem tratamento para
dislipidemia; 1, 8% para doença renal e 1, 8% para AVC

(14).

São listados alguns fatores que contribuem para o aumento da pressão arterial, tais como
hereditariedade e estilo de vida, incluindo a ingestão excessiva de sal, álcool, sedentarismo
e obesidade. O tratamento anti-hipertensivo se dá por meio de intervenção medicamentosa, ou
tratamento não farmacológico, este último implicando em mudanças no hábito de vida dos pacientes
para controle da pressão arterial, como redução de peso, prática de exercícios físicos, ajuste de dieta
e redução de álcool e tabagismo, são práticas comuns

(4).

Como se trata de uma doença crônica, não há uma cura e sim controle, de modo que o
tratamento dispendido à HAS deve perdurar, muitas vezes por toda a vida do paciente, mesmo
quando não há sintomas manifestos ou qualquer benefício esperado. Porém é sabido que uma grande
parte dos pacientes, mesmo tendo consciência da importância do tratamento, não aderem ao mesmo.
A falta de sintomas juntamente com uma baixa tolerabilidade de alguns fármacos anti-hipertensivos
são algumas das razões mais comuns para pacientes interromperam o tratamento ou não tomarem
a medicação prescrita nas dosagens e intervalos requeridos

(7).

Assim, para um adequado tratamento, é necessária a promoção de uma série de modificações
concernentes ao estilo de vida do paciente, seus comportamentos e rotinas diárias, tais como
reorganização dos hábitos alimentares, controle de pesos, abstenção de álcool e fumo, além da
prática regular de exercícios físicos. Porém, é verificado o aparecimento de diversos obstáculos que
tornam difícil a adaptação a esse novo estilo de vida imposto pela doença, por vezes impossibilitando
adesão do usuário à terapêutica proposta

(8).

Para que haja sucesso no quesito mudanças de hábito, é necessário um esforço para além
do próprio paciente, incluindo todos que fazem parte do processo de promoção e manutenção de
saúde, como familiares, pessoas próximas de convívio e equipe de saúde. Assim, é fundamental o
comprometimento do indivíduo com sua saúde e a capacitação do portador de hipertensão para o
autocuidado torna-se imprescindível ao tratamento

(9).

Segundo a OMS, a adesão ao tratamento é um fenômeno multidimensional, proveniente
de uma interação de fatores como nível socioeconômico, características da doença, do tratamento
e do paciente

(10).

As variáveis que influenciam na adesão podem ser classificadas como sendo

relacionadas ao próprio paciente, a fatores externos e sistema de saúde como um todo, e aqueles
relacionados aos cuidadores

(11).

É de extrema importância ainda o acompanhamento das comorbidades, como o diabetes,
a dislipidemia e a obesidade, para que haja uma redução nas complicações em órgãos-alvo,
consequências da hipertensão manifesta ao longo dos anos. Em virtude de sua cronicidade, a HAS
implica não só em mudanças no estilo de vida, mas também em um tratamento ininterrupto, já que
em sua constituição interagem fatores etiológicos e biológicos conhecidos e desconhecidos, com curso
clínico prolongado e permanente e manifestações clínicas em períodos de remissão e exacerbação,
podendo evoluir para graus variados de incapacidade e morte

(12).

A discussão sobre a adesão ao tratamento anti-hipertensivo é de fundamental importância,
pois a HAS é uma patologia que, quando não corretamente tratada e controlada gera altos custos
financeiros e sociais. Além disso, é importante atentar para a presença de co-morbidades associadas
e como elas podem influenciar em todo esse processo. O portador de HAS necessita de um tratamento
que seja adequado, condizente com a sua situação social, econômica e cultural, e também ter uma
medicação associada ao seu estilo de vida

(15).

A manifestação de sintomas psicológicos, como ansiedade e depressão, é comum em pacientes
com doenças crônicas

(16).

Estudos apontam que o próprio diagnóstico da hipertensão em si, e não
a elevação da pressão arterial pode ser o desencadeador do sofrimento ou estresse psicológico, em
virtude da série de transformações que este há de acarretar na vida e cotidiano do paciente com
hipertensão, mudanças estas que perpassarão toda sua vida, dada a cronicidade de tal enfermidade
(17).

Nesse sentido, enquanto instrumentos de avaliação psicológica, os inventários de personalidade
têm sido largamente utilizados no delineamento de traços indicativos de dificuldades com adesão ao
tratamento de alguma enfermidade

(18, 19).

Dentre eles, desenvolvido por Theodore Millon, temos o Millon Behavioral Medicine Diagnostic ­ MBMD, que pode ser utilizado como um indicador de fatores relacionados a adesão ou não adesão ao tratamento

(19).

O MBMD consiste em um inventário de autorrelato composto de 165 itens que devem ser
respondidos como "verdadeiro'' ou "falso". Para tanto, agrega 38 escalas, sendo 3 de verificação
(padrões de resposta), 6 concernentes a maus hábitos de saúde, 5 sobre indicadores psiquiátricos,
6 relativas a moderadores de estresse, 11 referentes a estilos de enfrentamento, 5 a respeito de
prognóstico de tratamento e 2 sobre formas de condução de tratamento/guia de gerenciamento

(20).

Por tratar-se de um inventário de personalidade concebido para avaliar traços e comportamentos
que podem influenciar na adaptação a doenças diversas e o contexto saúde-doença de uma maneira
geral, bem como sua relação com o tratamento proposto, pode ser um valioso instrumento de
avaliação da adesão ao tratamento

(19).

Isso posto, o presente trabalho objetiva investigar, com auxílio do Millon Behavioral Medicine
Diagnostic ­ MBMD, aspectos de caráter geral e cunho psicológico da adesão ao tratamento em
pacientes com hipertensão, com enfoque na presença de comorbidades.

1. METODOLOGIA
Trata-se de um estudo transversal realizado com sujeitos com hipertensão que se propuseram
a participar das atividades propostas pela pesquisa, expresso isso por meio de assinatura do Termo
de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Contou-se com uma amostra de 100 participantes,
de sexo masculino e feminino, com faixa etária variando em torno de 18 e 85 anos e de níveis
socioeconômicos e de escolaridade variados.
Para critérios de exclusão amostral utilizou-se o não interesse em participar da pesquisa,
quaisquer alterações/comprometimentos cognitivos que impossibilitassem a compreensão dos
instrumentos utilizados no estudo, e manifestações clínicas que capazes de comprometer a participação
do sujeito. Os pacientes foram recrutados em hospital Universitário e em uma unidade de saúde da
cidade de Natal/RN. A escolha destes locais justifica-se, no caso do hospital por tratar-se de local de
referencia e assim recebendo muitos pacientes com tal demanda, e no caso da unidade de saúde por
contar com grupos específicos voltados para a hipertensão.
Em termos gerais, trata-se de uma amostra predominantemente feminina (60%) com média
de idade de 48, 8 anos, em grande maioria em união estável, com predominância de escolaridade
entre ensino fundamental e médio completos e média de renda de 2, 3 salários mínimos, sendo o
considerado um salário mínimo em uma média de $ 210 euros a cada mês.
Foi aplicado com os participantes um questionário de caracterização, para obtenção de dados
de identificação, informações clínicas, hábitos de vida e itens relacionados com a enfermidade. Neste
dispôs-se uma série de variáveis apontadas na literatura como relacionadas à adesão ou não adesão
ao tratamento, tais como histórico de HAS na família; tempo de patologia; comorbidades; uso de
medicação; tempo de uso medicação
Nesse sentido, a maioria apresenta histórico de HAS, com média de tempo de diagnóstico
estimada em 6, 8 anos, semelhante à média de tempo de uso de medicação, que foi de 6, 6 anos. Um
número maior de respondentes afirma que a HAS acarretou algum tipo de modificação em sua rotina,
que realiza acompanhamento médico e refere fazer uso de medicação. Além disso, a maioria refere
não fazer uso de álcool ou tabaco e relatam ter uma dieta regrada e controlada, especialmente no
tocante à ingestão de sódio. Entretanto, grande parte afirma não adotar uma prática de exercícios
físicos.
Também foi administrado, como já mencionado anteriormente, o MBMD. Suas escalas foram
sobrepostas aos dados dos pacientes, obtidos pelo questionário de caracterização amostral, no intuito
de delinear um quadro geral de indicadores e manifestações comportamentais associados à adesão
ao tratamento anti-hipertensivo, com base na comparação das médias entre grupos através de Test
T de Student ou Anova.

2. RESULTADOS E DISCUSSÃO:
Para fins de análise dos resultados utilizou-se o processador estatístico Statistical Package for
the Social Sciences (SPSS, versão 20. 0).
A fim de estabelecer uma relação entre a escala de hábitos negativos de saúde e presença de
co-morbidades associadas a HAS, utilizou-se o teste t de Student, medida estatística para amostras
paramétricas. Utiliza-se esse teste quando se trata de comparações entre dois grupos, com o objetivo
de estabelecer diferenças. No caso em questão, buscou-se avaliar a relação entre a presença de
comorbidades associadas à HAS e adoça de hábitos negativos de saúde, referentes ao auto cuidado,
a saber: ácool, drogas, alimentação, cafeína, sedentarismo e tabaco, dispostas em uma das áreas de
avaliação do MBMD relativa a hábitos negativos de saúde.
Assim, ao aplicar o teste t de Student para duas amostras independentes, os resultados,
dispostos na tabela abaixo, apontam diferenças significativas no que diz respeito às escalas de álcool,
alimentação, cafeína e tabaco, indicando que aqueles que possuem comorbidades associadas à HAS
têm uma maior propensão ao uso de álcool se comparados aos que não a possuem, assim como a
uma alimentação mais desregrada, ao uso de cafeína e de tabaco, considerando p < 0, 05:

Escalas

Média com
comorbidade

D. P.

Média sem
comorbidade

D. P.

Álcool

0, 02

0, 14

0

0

Drogas

0

0

0

0

Alimentação

0, 56

0, 86

0, 12

0, 52

Cafeína

0, 16

0, 51

0, 04

0, 20

Sedentarismo

1, 30

1, 31

1, 94

1, 31

Tabaco

0, 02

0, 14

0

0

Existem diversos fatores de risco que contribuem para a elevação dos níveis pressóricos, e
além de idade avançada destacam-se a obesidade e alto teor de sódio na alimentação; o consumo
excessivo de álcool; e a presença de comorbidades como o diabetes mellitus e as displidimias. Isto
posto, para um eficiente controle da HAS é essencial também o controle de seus fatores de risco,
de modo que deveria existir por parte dos pacientes a adoção de hábitos mais saudáveis de vida,
refletidos também no cuidado das comorbidades

(21).

Muitos fatores de risco para hipertensão são modificáveis, o que torna a hipertensão evitável
na maioria dos casos ou com alta probabilidade de controle, se já presente. Vale salientar que
existem comorbidades diretamente relacionadas e decorrentes da HAS, surgindo como complicações
desta, diferente dos fatores de risco que são condições e comportamentos os quais contribuem com
o desenvolvimento da doença hipertensiva

(22).

No que diz respeito à alimentação, além de ser recomendada baixa ingestão de gordura e
calorias, existe ainda a orientação de que a dieta do portador de hipertensão deve ser abundante em
frutas, vegetais, fibras, pouco consumo de açúcares e a utilização de produtos derivados do leite com
baixo teor de gordura, o que auxilia também na redução do peso corporal (23). Entretanto, foi possível
perceber que aqueles que possuem comorbidades não fazem um controle adequado da alimentação.
É possível ainda levantar a hipótese do ato de comer justificado como um modo de diminuir
a ansiedade provocada não só pela presença da HAS e comorbidades, mas pela ansiedade em dar
continuidade ao tratamento, modificando seus hábitos de vida na tentativa de adoção de um estilo
mais saudável

(24).

Pode-se ainda hipotetizar que, uma vez que os índices de sedentarismo foram mínimos, aqueles
que possuem alguma comorbidade associada podem não cuidam da alimentação por compensarem
tal déficit com a realização de atividades físicas, na crença de que talvez tal prática seja suficiente.
É importante destacar que no Nordeste o sal foi e é muito utilizado como conservante de alimentos,
sendo então importante considerar a rotina dessas pessoas como um fator não só nutricional, mas
socioeconômico e cultural

(22).

No que diz respeito ao tabaco, as Diretrizes orientam abolir totalmente o cigarro da vida do
portador de hipertensão. Além do efeito constrictivo, que provoca diversas alterações hemodinâmicas
agudas e potencialização do risco de desenvolvimento de cardiopatias isquêmicas, o cigarro duplica o
risco de doença arterial coronariana, onde 30% delas são atribuídas ao número de cigarros fumados
diariamente

(23).

A nicotina presente no cigarro provoca o aumento do trabalho cardíaco, a disfunção
do endotélio capilar, a liberação de catecolaminas e a hiper-reatividade vascular aumentando,
consequentemente, a pressão arterial

(22).

Ainda no que se refere ao tabagismo, deve-se destacar que este hábito, seja ativo ou passivo,
é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, além da ocorrência de fenômenos
trombóticos. Diante disto, é necessário que sejam adotadas estratégias integradas e sustentáveis de
prevenção e controle dessas doenças

(25).

Já o alcoolismo está relacionado à hipertensão devido ao aumento da pressão arterial em 2 mmHg
a cada 30ml de álcool etílico ingerido, de modo que o consumo de álcool deve ser minuciosamente
monitorado pelos hipertensos

(22).

Muitas pessoas passam a exagerar na bebida alcoólica a partir dos 60 anos, como uma resposta a fatores de estresse associados ao envelhecimento, como, perda
da saúde, dor crônica, perdas emocionais, baixa autoestima, sentimento de abandono, alteração de
suas rotinas, dificuldades financeiras, entre outros

(23).

O alcoolismo, além de se constituir um fator de risco que contribui para o agravamento da
hipertensão arterial, pode ser considerado um dos motivos para abandono do seguimento médico.
Sabe-se que uma das dificuldades de ter o controle do uso de bebidas alcoólicas é o fato de existir a
aceitação social da bebida. Ressalta-se que os prejuízos apontados pelas pessoas à bebida alcoólica
estão mais associados à forma e a frequência como ela é usada, do que ao seu uso em si

(25).

3. CONCLUSÕES:
Diante do exposto, é possível sugerir que, no estudo em questão, os dados apontam para
um indicativo de que aqueles sujeitos que apresentam HAS e também algum tipo de comorbidade
apresentam em seu cotidiano uma prática de hábitos negativos de saúde, com um consumo maior de
álcool, tabaco e cafeína do que aqueles que não possuem comorbidade, além de uma não preocupação
com a alimentação e a adoção de uma dieta específica. É válido destacar que uma vez o tratamento
eficaz da HAS estando diretamente ligado à incorporação de hábitos de vida mais saudáveis, aqueles
que possuem comorbidades podem também não aderir ao tratamento da HAS, agravando seu quadro
e podendo também trazer consequências negativas para sua evolução.

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